A Europa, a indústria e os blocos económicos

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Até à data tem sido consensual que fechar as economias - ao contrário de promover a sua maior abertura - trará menos benefícios para todos. Estaremos agora num novo paradigma, em que sucede exatamente o oposto? Não é provável! A abertura das economias, amplamente discutida no âmbito das teorias de comércio internacional, tende a produzir benefícios significativos para as diferentes partes, pese embora a possível existência de assimetrias na respetiva distribuição.

Vem isto a propósito do facto de, no passado dia 12 de junho, a Comissão Europeia ter declarado que irá impor, com carácter temporário, taxas suplementares (que podem atingir 38,1%) nos veículos elétricos importados com origem chinesa. A medida foi anunciada após o início da investigação de que o Governo chinês subsidia excessivamente as suas empresas neste mercado, permitindo-lhes praticar um preço significativamente inferior, pondo em causa a competitividade de preços no setor. 

Embora este movimento se insira num contexto em que, a nível mundial, blocos económicos e países têm adotado medidas unilaterais para defender o interesse dos seus setores, especialmente a indústria, a decisão da Comissão Europeia é vista com alguma relutância, apesar do seu carácter temporário.

Há anos que a Europa anda a defender um verdadeiro renascimento industrial europeu, mas ainda muito falta fazer para atingir tal propósito. A aplicação de direitos compensatórios será o mais fácil, mas não resolverá estruturalmente o problema da falta de competitividade de uma Europa que tem vindo a perder peso no cenário mundial. Esta imposição de direitos compensatórios, ao encarecer os bens, trará também problemas para a indústria europeia (ainda muito dependente da China, como bem vimos na pandemia, relativamente a outros bens). 

Para além de encetar um diálogo com este país asiático, relativamente a esta matéria, defendo o caminho de uma forte aposta e apoio da Europa à sua indústria, tornando-a mais competitiva. A indústria possui um elevado potencial de valor acrescentado, com grande significado no emprego e com um peso indiscutível numa estratégia de crescimento económico mais robusto e sustentável. 

O papel da indústria na economia e no desenvolvimento sustentável foi precisamente o tema da 5.ª Conferência do Fórum Produtividade & Inovação, uma Agenda de Reformas para Portugal, realizada em Aveiro na passada quarta-feira, numa iniciativa da AIDA - Câmara de Comércio e Indústria do Distrito de Aveiro, da Fundação AEP e da SEDES.

Luís Miguel Ribeiro, presidente do Conselho de Administração da AEP - Associação Empresarial de Portugal

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