

O Abanca apresentou esta segunda-feira os resultados relativos ao primeiro semestre do ano, e tanto o presidente como o CEO da instituição mostraram-se positivamente otimistas em relação à operação ibérica.
“Somos, hoje, um banco verdadeiramente ibérico”, salientou Juan Carlos Escotet, presidente do Abanca. Recorde-se que o banco galego integrou, em 2023, o Eurobic – banco nascido de uma parceria entre Isabel dos Santos e Américo Amorim – o que o ajudou a fincar o pé no mercado português.
O Abanca registou, entre janeiro e junho, um resultado líquido de 386 milhões de euros, menos 9,6% do que no mesmo período do ano anterior, devido ao aumento da taxa de imposto efetiva provocado pela menor utilização de créditos fiscais, explicou o responsável. Antes de impostos, a instituição financeira obteve um lucro de 501 milhões de euros, um aumento de 3,7%, conforme salientaram o seu presidente e o diretor executivo, Francisco Botas Ratera, na apresentação dos resultados. A rentabilidade (ROTE) situou-se nos 12,2%, com uma margem elevada em relação ao custo do capital.
Em Portugal, o resultado antes de impostos do Abanca cresceu 25,7%, passando de 49,8 milhões para 62,6 milhões de euros. A operação portuguesa fechou o semestre com um volume de negócios de 21 milhões de euros e captou mais de 10 mil novos clientes desde o início do ano, o que os responsáveis consideram um “muito bom resultado”.
No global, o crescimento da base de clientes foi de 77 mil – “mas em termos proporcionais, Portugal portou-se até melhor do que Espanha”, realçaria Juan Carlos Escotet durante a apresentação de resultados.
Além disso, “foi o nosso semestre de maior crescimento [de concessão] de crédito, nunca tínhamos dado tanto, em Portugal e em Espanha, e em condições muito favoráveis”, salientou Francisco Ratera. “Espanha é, atualmente, um dos mercados com condições mais favoráveis” para a concessão de crédito, sobretudo à habitação, realçou.
A operação em Portugal representa atualmente 17% das receitas globais do Grupo Abanca, que gostaria de ver o mercado nacional a ter um peso de 20% no volume de negócios e nos resultados consolidados do grupo, através de um crescimento orgânico.
No primeiro semestre, as novas formalizações de crédito a particulares e empresas em Portugal ultrapassaram os três mil milhões de euros, sendo que a qualidade dos ativos se manteve, com um rácio de incumprimento de 2,1% e uma taxa de cobertura de 88,9%.
O Abanca registou um aumento de 8,4% no seu volume de negócios, que atualmente está acima dos 145 mil milhões de euros, com o crédito a empresas e a particulares a subir 3,8%. Desse total, as empresas representam a maior fatia: 43% do crédito concedido.
No mesmo sentido, também os depósitos de clientes subiram 2,7%, representando atualmente mais de 65 mil milhões de euros.
Juan Carlos Escotet e Francisco Botas salientaram ainda o aumento significativo da comercialização de seguros, por parte da instituição, algo que foi registado em todos os segmentos de produto, com crescimentos a dois dígitos.
O crescimento comercial foi acompanhado, segundo os responsáveis, por uma evolução positiva da satisfação dos clientes: três em cada quatro novos clientes classificam a relação com a instituição com uma pontuação de pelo menos nove em dez, mostram os dados divulgados esta segunda-feira, 27 de julho.
Foco no crescimento orgânico; olho em novas oportunidades
Questionado se, após a integração com o EuroBic, o Abanca está pronto para voltar a olhar para o mercado, e a fazer novas aquisições, uma vez que em Portugal está à venda o banco CTT, Escotet afastou quaisquer compras no “curto e médio prazos”, afirmando que a instituição quer focar-se na estabilização e no crescimento orgânico, para já. “O nosso foco, como sabem, é combinar crescimento orgânico com inorgânico”, respondeu aos jornalistas. “A realidade, neste momento, é que o mercado mudou de forma considerável, como todos sabemos; melhorámos em rentabilidade, e melhorámos a nossa valorização e market cap. Estamos sempre a analisar o mercado e a olhar para novas oportunidades, mas não vemos no horizonte de curto e médio prazo que possam surgir novas opções”, admitiu o presidente do Abanca. “O nosso foco está orientado para desenvolver o crescimento orgânico. Creio que temos forma de o atingir e os números do primeiro semestre olham nessa direção e é onde vamos concentrar os nossos esforços. Não vemos alternativas disponíveis no mercado. Agora queremos aproveitar o desenvolvimento do nosso negócio e aproveitar sinergias para melhorar a eficiência”, adiantou.
“Se houver oportunidades, olharemos, mas não é a nossa prioridade. Estamos a terminar a integração com o EuroBic e estamos a crescer de forma muito interessante. Portugal representa mais de três mil milhões no nosso crescimento. Se comparamos com o peso no volume de negócios de todo o banco, Portugal está a crescer mais do que Espanha, em volume”, continuou Escotet. “Sendo ambos os mercados muito bons, Portugal está melhor”, tanto na captação de crédito como de depósitos, considerou, pelo que para já, não vê necessidade de pensar em mais aquisições.
Quanto à concessão de crédito à habitação, nomeadamente aos jovens até aos 35 anos, o Abanca afirma que não tem os números dissecados, mas que a procura tem aumentado progressivamente. A garantia do Estado para esta faixa da população “parece-nos uma iniciativa magnífica, mas não sentimos uma procura com acreditávamos que podia haver”, esclareceu ainda. “Mas está a a crescer de forma progressiva. Não acreditamos que vamos diminuir a concessão de crédito, mas manteremos a nossa politica de risco”, sublinhou.
“Como estamos a crescer tanto em número de clientes – mais de dez mil em Portugal – estamos a crescer muito no credito a habitação jovem, também. Os dados dos jovens em concreto não temos, mas no global demos 12% de mais crédito”, acrescentou Francisco Botas Ratera.
O Abanca foi o segundo banco a mostrar as contas relativas ao primeiro semestre do ano, depois de o Santander ter dado o pontapé de saída na época de apresentação de resultados das instituições financeiras. Esta semana serão ainda conhecidas as contas do Millennium BCP, do BPI e da Caixa Geral de Depósitos.