O Governo tem vindo a passar a ideia que a pandemia afeta todos por igual e que as crescentes dificuldades do nosso país têm um paralelo no resto do mundo. Sendo certo que poucos Estados ficaram inumes à contração económica associada ao Covid-19, a verdade porém é que uns resistiram melhor do que outros. Por isso Portugal foi em 2020 ultrapassado pela República Checa, aproximando-se cada vez mais da cauda do pelotão europeu..Em 2021 este desigual desempenho económico vai repetir-se. A gestão da crise, a vacinação, as ajudas à população, a qualidade dos planos de recuperação diferenciam os resultados de cada país. Muito está, pois, nas mãos do Governo..As previsões do Focus Economic Concensus, que agrega as principais previsões macroeconómicas para a União Europeia apontam para que em 2021 vários países recuperem totalmente face a 2019 e até consigam um crescimento do PIB face a esse ano. São os países mais rápidos, os que progridem mais depressa. Outros países só em 2022 atingirão os níveis de produção e riqueza de 2019. São os mais lentos, os que se deixam ficar para trás..Quem são os que recuperam já este ano e conseguem mesmo crescer face a 2019? Vejamos alguns: A Estónia, a Finlândia, a Irlanda, o Luxemburgo, a Letónia. Ah gritam os sempre prontos a arranjar desculpas. São os pequenos países. Com essa pequena dimensão é possível recuperar mais depressa. Mas Portugal é maior. Mas esperem entre os que recuperam e crescem este ano também se conta a Alemanha e a Holanda. Bom, dizem os mesmos, são países maiores e mais desenvolvidos do que Portugal, nessas condições é mais fácil recuperar. Em Portugal temos sempre as mais díspares e disparatadas desculpas para o mau desempenho. Nunca a assunção de responsabilidade e o arrepiar caminho..E em que grupo é que Portugal se insere? Adivinharam? Como sempre nas últimas décadas nos mais lentos a recuperar. Só em 2022 atingiremos os níveis de 2019, se tudo correr como previsto o que em Portugal raramente acontece..A culpa é do turismo esbracejam os mesmos que nos garantiam que a exagerada aposta neste setor, feita à custa da desertificação da Capital e do despejo dos idosos, era sustentável. Pior, agora com o Reino Unido fora da União Europeia é provável que os britânicos canalizem parte do seu turismo para outras paragens, na lógica que pretendem seguir de reforço de laços com outras regiões e países..Por outro lado o Plano de Recuperação não tem acoplado uma Estratégia de Combate à Corrupção robusta, capaz de impedir desmandos e a apropriação ilícita destes fundos estatais europeus por interesses particulares. Nestas condições a sua eficácia fica diminuída e os seus efeitos económicos a prazo reduzidos..Portugal está, há vários anos, numa encruzilhada, a estagnação é prolongada, o empobrecimento em relação aos seus parceiros europeus persistente, a drenagem populacional lenta mas constante, a desigualdade crescente. Que caminho seguir? Que futuro para Portugal é a questão que se coloca cada vez mais. Sente-se no ar o cheiro a mofo que caracterizou o marcelismo e que se consubstanciava numa situação cada vez mais insustentável, com a qual não havia coragem de cortar nem de procurar alternativas. Em tais circunstâncias é preferível arriscar - foi o que, mal ou bem, o futuro o dirá, o Reino Unido fez..Para conhecer as previsões do Focus Economic Concensus aceda a www.focus-economics.com/reports.