AICEP: Portugal é "mercado teste" para a internacionalização de empresas brasileiras

Nos primeiros noves meses deste ano, o investimento direto do Brasil em Portugal voltou a crescer para 5,3 mil milhões de euros, um aumento de 10% face a igual período de 2022
Presidente do Brasil, Lula da Silva, esteve em Portugal em março do ano passado.
Presidente do Brasil, Lula da Silva, esteve em Portugal em março do ano passado.Leonardo Negrão/Global Imagens
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O delegado da AICEP no Brasil defende que Portugal é a "opção natural" e um "mercado teste" para a internacionalização, cada vez mais desejada, dos empresários brasileiros, sobretudo para a Europa, refletindo-se num crescimento do investimento daquele país.

Ainda nos primeiros noves meses deste ano, o investimento direto daquele país em Portugal voltou a crescer para 5,3 mil milhões de euros, um aumento de 10% face a igual período de 2022, segundo os últimos dados oficiais do Banco de Portugal disponibilizados pela AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.

De acordo com dados da Agência para o Comércio Externo brasileira (Apex-Brasil), desde 2018, 21,6% do tecido empresarial brasileiro iniciou processos de internacionalização.

Também números da Fundação Dom Cabral mostram que, já em 2022, 45,1% das empresas brasileiras internacionais aumentaram os seus investimentos no exterior, refere o mesmo responsável.

A Fundação Dom Cabral existe há 40 anos e é uma escola de negócios que oferece soluções educacionais nacionais e internacionais, sustentadas por alianças estratégicas e acordos de cooperação com instituições na Europa, Estados Unidos, China, Índia, Rússia e América Latina.

Para Francisco Saião Costa, o crescente desejo de internacionalização dos investidores brasileiros nos últimos anos devem-se à "conjuntura económica e política interna" no Brasil e ao desejo dos investidores de protegerem o seu património e diversificarem a carteira, através da presença noutros mercados, "para evitar exposição a diferentes ciclos económicos", apontou.

Neste contexto, os investidores brasileiros começam a olhar para outros mercados e Portugal surge em vantagem "como opção natural", mas também "prioritária", considera o delegado da AICEP no Brasil.

Num primeiro momento, por motivos de afinidade histórica, cultural, social e linguística.

Depois, num olhar mais atento, também "pelas vantagens competitivas oferecidas" por Portugal e "altamente apreciadas pelas empresas e investidores brasileiros - nomeadamente segurança e estabilidade jurídica, recursos humanos altamente qualificados, infraestruturas de excelência e custos operacionais atrativos, aliados a um quadro de incentivos favorável" ao investimento estrangeiro, considera o delegado da AICEP em resposta por escrito a questões colocadas pela Lusa.

Francisco Costa admite ainda que exista muito investimento de brasileiro em imóveis em Portugal, mas sublinha que há também empresas criadas com capital brasileiro e a gerar emprego.

"Em sentido manifestamente positivo, começamos a identificar sinais de uma possível transformação na matriz de investimento, num movimento que se vem robustecendo desde 2020. Há um número crescente de empresas brasileiras, sobretudo de serviços tecnológicos, a abrir 'tech hubs', centros de inovação ou desenvolvimento em Portugal, com um nível de investimento associado relevante e com tendência a escalar", afirmou.

Por outro lado, também continuam a merecer destaque os investimentos industriais de empresas de grande porte brasileiras "já com larga presença" em Portugal, acrescentou.

O responsável apontou como exemplos os investimentos da WEG, que, no início de 2022, anunciou a expansão do seu parque industrial e a construção de uma nova fábrica especializada em motores elétricos em Santo Tirso, e o da C-Pack, que já este ano avançou para a construção de uma fábrica de manufatura de embalagens (cosméticos) em Bragança.

Concluindo que há uma predominância de pequenas e médias empresas brasileiras a investir em Portugal, com particular destaque para startups, Francisco Costa referiu, no entanto, que os grandes grupos empresariais brasileiros também iniciam a sua expansão "com uma presença de porte médio" no mercado português.

Para o responsável, os setores preferidos pelo investidor brasileiro para desenvolver em Portugal são o tecnológico, financeiro e de máquinas e equipamentos, porque "são os setores onde a oferta brasileira é mais forte, estruturada, desenvolvida e capaz de evidenciar-se face aos seus concorrentes com provas dadas noutros mercados altamente competitivos".

Além disso, são áreas em que "Portugal tende a oferecer as melhores condições para a aposta destas empresas vingar", explicou o delegado da AICEP no Brasil.

"É verificável o manifesto interesse destes investidores em utilizar Portugal como 'mercado teste' para validar o seu processo de internacionalização para o continente europeu", referiu.

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