A notícia tinha sido avançada em fevereiro, pelo Expresso, e as
negociações terão sido mais demoradas, de acordo com o Ambitur, porque
um dos quatro acionistas, José Américo Amorim Coelho, se opunha à
transação negociada por Jorge Armindo, presidente da Amorim Turismo.
A transação envolve os ativos da Turyleader, subholding hoteleira que detém os hotéis Lake Resort e Vilalara no Algarve, bem como da Grano Salis, sociedade que desenvolveu o hotel e o casino de Tróia, comprada à Sonae, em 2003, pelo Grupo Amorim Turismo. O investimento em Tróia ascendeu a 156 milhões de euros e teve o apoio da AICEP. Já há mais de um ano que o grupo estaria sob forte pressão dos bancos financiadores dos seus investimentos imobiliários, nomeadamente o BCP, o BES e a CGD, no sentido de amortizar a dívida.
A operação hoje anunciada envolve, segundo Jorge Armindo, citado pelo Expresso, uma "venda parcial, uma cedência de capital com a entrada de um acionista financeiro para ajudar a recuperar o passivo dos hotéis", uma solução que permitirá a continuidade do projeto da "Amorim Turismo (...) e até irá permitir o crescimento do seu parque hoteleiro".
Fora do negócio ficam os casinos do Algarve e o da Figueira da Foz. O Grupo Amorim Turismo manterá ainda a sua posição acionista (33%) no capital da Estoril-Sol (casinos de Lisboa, do Estoril e da Póvoa de Varzim). Jorge Armindo, presidente da Amorim Turismo, também mantém 25% do capital no grupo e mantém-se no Conselho de Administração da empresa.
De acordo com informação da empresa, os "casinos representam cerca de 72% do total de proveitos do mercado". Porém, entre 2008 e 2014, os casinos nacionais perderam, no seu conjunto, cerca de 40% das suas receitas. Além disso, segundo explicação de Jorge Armindo ao Expresso, a dívida do grupo agravou-se devido à paragem dos investimentos previstos para a costa alentejana que prejudicou o desempenho das unidades de Tróia.
O Grupo Amorim Turismo autonomizou-se dos negócios de Américo Amorim, em 2005, altura em que também outros negócios da casa-mãe foram reorganizados na sequência do divórcio de Paula Amorim de Rui Alegre.