APAN: "Digital é um dos desafios mais amplos e complexos que temos pela frente"

O crescente "ceticismo" do público em relação à comunicação é outra das grandes dificuldades que o setor dos anunciantes identifica.
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A Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN), pelas vozes de Ricardo Torres Assunção e Manuela Botelho, aponta o digital como "um dos desafios mais amplos e complexos" que o setor tem pela frente, principalmente ao nível da avaliação da sua eficácia e eficiência.

Foi no início deste mês que a APAN deu as boas-vindas a Ricardo Torres Assunção como novo secretário-geral, em substituição de Manuela Botelho, que exerceu o cargo nos últimos 18 anos. À conversa com o Dinheiro Vivo, recordam marcos das últimas quase duas décadas e pintam o retrato dos desafios e tendências do setor para 2023.

"Os desafios são enormes, a indústria está a reinventar-se e o cross media é gigante", diz Ricardo Torres Assunção, sublinhando o digital como a questão mais complexa, embora admita que gosta de desafios.
Passada a fase de transição e compreendida a importância do digital para a comunicação das marcas, é hora de "avaliar a ferramenta do ponto de vista da eficiência e da eficácia", explica a antiga secretária-geral da APAN, reiterando que o seu sucessor "é a melhor pessoa para o fazer".

Além do digital, colocam-se outros desafios, como o crescente "ceticismo" do público em relação à comunicação. "Se há coisa que os anunciantes não podem perder de vista é a confiança." A Associação Portuguesa de Anunciantes assume, então, a responsabilidade de garantir que a "confiança não é quebrada, sendo transparente, ajudando à autorregulação e alinhando-se com os seus parceiros".

A sustentabilidade surge no radar da APAN como desafio e tendência, em simultâneo, especialmente por estar "muita coisa a acontecer" em termos de regulamentação nessa área. "Não há fuga possível, há metas e compromissos traçados", sublinha o novo secretário-geral da associação.

Ainda a propósito de tendências, a APAN encomendou um estudo sobre hábitos e comportamentos de consumo de média em Portugal, cujos resultados servirão para catapultar o debate "estratégico com os parceiros sobre que desafios estes novos hábitos colocam".

Manuela Botelho, de saída da associação, leva na memória vários dossiês em que trabalhou - principalmente em iniciativas regulatórias de alteração do Código da Publicidade -, e aproveita para reiterar a importância do trabalho conjunto entre indústria, agências de publicidade e meios de comunicação social. "Quando se trata de defender o direito das marcas a comunicar, são mais as coisas que nos unem do que nos dividem", afirma.

Já o recém-nomeado secretário-geral da APAN, Ricardo Torres Assunção, assume com "grande honra" a estrutura "bem montada" da associação, comprometendo-se a continuar a olhar para o futuro e "crescer em cima destas bases", sempre em parceria com os 93 associados que se mantêm "fortes e comprometidos".

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