Apps For Good quer chegar às 3600 escolas em Portugal e às prisões para que "todos possam sonhar"

Após vencer prémio da UNESCO, projeto CDI Portugal, Apps For Good, quer passar das 220 para as 3600 escolas do país e está a testar inclusão nas prisões e a internacionalização. Nova plataforma feita pela portuguesa OutSystems liga professores e alunos nos projetos e vai chegar a outros países.
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"Nunca fomos tão relevantes e importantes quanto agora para os jovens, professores e para a comunidade e queremos expandir a influência do empreendedorismo sustentável por uma vida em comunidade melhor". Quem o diz é João Baracho, CEO da organização não-governamental CDI Portugal e líder do projeto educativo Apps For Good com experiência na Siemens, PT e ONU e cuja ambição parece não ter limites.

Depois do prémio da UNESCO pelo contributo para "Boas Práticas e Desempenho Exemplar na Melhoria da Eficiência dos Professores", o projeto que começou em 2014 e ajuda alunos do secundário a criarem apps para solver problemas da sociedade está pronto para chegar a todas as escolas do país e às prisões.

Além do crescimento para as 220 escolas este ano e dos vários prémios, o projeto estreou uma plataforma com base na tecnologia da portuguesa OutSystems para ajudar na colaboração entre alunos e professores "mesmo a tempo da pandemia". "Está em português e inglês e vamos ter em espanhol, porque a Colômbia quer usar o nosso modelo de Apps For Good, queremos chegar aos PALOP e temos pilotos na Polónia e em Espanha", explica sobre a ligação à rede global RECODE.

No total já formaram 1100 professores portugueses para que possam "ajudar e motivar os alunos e respetivas equipas a aplicar os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável que estão na base de todos os projetos para apps" e que inclui os cinco módulos de desenvolvimento de um produto, da ideia ao mercado. "Além disso, com a Cimeira Social no Porto, vamos começar a incluir os 20 princípios e direitos fundamentais do Pilar Europeu dos Direitos Sociais", explica João Baracho.

Citaçãocitacao"Descobrem o que querem fazer e percebem como podem usar a tecnologia para realizar os seus sonhos, o que tem ajudado a trazer raparigas para o projeto (já são quase 50%)"esquerda

O novo objetivo é o de chegar às 3600 escolas do país do 5º ao 12º ano, criando competições concelhias. Para isso, será preciso "expandir, com a ajuda dos municípios, a formação a professores para ajudá-los, com metodologias, a motivar os alunos e a serem um facilitador e não propriamente um líder". Já há parcerias com municípios e o Ministério da Educação, num programa "que tem feito a diferença na vida de muitos".

Ao longo das sete edições criaram um grupo dos chamados "professores ninja" que contribuem de forma ativa para a melhoria do projeto, viram melhor integração das Apps For Good nos programas curriculares e viram "jovens a crescer como pessoas e empreendedores". Um estudo da Universidade de Lisboa mostrou "resultados incríveis", com os alunos a revelarem melhorias nas aptidões em ciência e com mais raparigas a aderir às novas tecnologias.

"Temos visto jovens de contextos geográficos, sociais, económicos e até religiosos diferentes a interagir e ganharem ambições para o futuro e novas paixões", diz João Baracho e lembra que o ano passado tiveram uma equipa de alunos com Asperger. "Descobrem o que querem fazer e percebem como podem usar a tecnologia para realizar os seus sonhos, o que tem ajudado a trazer raparigas para o projeto (já são quase 50%)".

Este ano estão a fazer um projeto piloto do Apps For Good no Estabelecimento Prisional do Vale do Sousa com o apoio do Ministério da Justiça e que envolve sete reclusos. "Queremos arrancar já em 2022 com um programa para ajudar na reinserção de reclusos, ajudá-los a repensar a vida com novas ferramentas e serem parte positiva na sociedade".

Para isso, admite que têm sido surpreendidos com o feedback dos professores que lhes dão formação e com o apoio do Ministério da Justiça e da Direção-Geral de Reinserção. Embora admita ser um tema "com nuances" que não será para todos os reclusos, espera ter seis a sete estabelecimentos participantes no próximo ano.