O Facebook, Pedro Rebelo de Sousa em entrevista ao Dinheiro Vivo, o salão automóvel de Frankfurt, como Bruxelas se pôs ao lado de Lisboa contra o FMI, os cortes na Função Pública, o drama da Grécia e nova fraude bancária marcam a semana.1. O Facebook quer tudo - O Facebook está a perder a sua identidade. Mark Zuckerberg tem de decidir rapidamente o que quer que a sua rede social seja: uma réplica das relações que as pessoas vivem no mundo físico? Um meio de comunicação para grandes audiências? Uma colecção de miniblogues? Vamos lá a ver: o Facebook não pode ser tudo ao mesmo tempo. Se é Facebook não é Twitter; se é Facebook não é Google+. Nas últimas semanas, a rede tem apresentado demasiadas alterações, o que não dá tempo aos utilizadores para se aperceberem e adaptarem. As duas novidades mais sonantes são a possibilidade de escolher com quem se partilha esta ou aquela actualização (inspirado nos círculos do Google+) e agora o botão Subscrever, através do qual um utilizador pode seguir as actualizações de outros sem pedir amizade (claramente inspirado no follow do Twitter). Como resultado, o Facebook está cada vez mais complexo. Se em 2010 Zuckerberg acreditava que a era da privacidade acabou, se calhar agora tem receio de que a era do Facebook esteja no fim. A. R. G.2. Pedro e a CGD - Pedro Rebelo de Sousa foi esfolado quando se soube que tinha sido escolhido para a administração da CGD. Que não tinha currículo na banca, que só tinha sido escolhido por questões partidárias, que o que pesou na decisão foi a relação familiar com o irmão Marcelo. Bullshit. A única coisa verdadeiramente relevante que se disse sobre o tema foi a existência de um alegado conflito de interesses. Acumulando Pedro Rebelo de Sousa a actividade de advogado com a de administrador da Caixa, a possibilidade de conflitualidade é enorme. O grupo financeiro do Estado está em toda a parte. O que a lei diz é que, sempre que se verificar uma situação de conflito de interesses, Pedro Rebelo de Sousa deve abster-se de participar e não votar. Tudo bem se fosse fácil identificar as situações de conflito de interesse, mas não é. Para Rebelo de Sousa, estas só existem quando os negócios forem directamente entre o seu escritório e a CGD. Na teoria, pode ser, mas na prática não é tão simples. O advogado não terá descanso. S.O.3. Frankfurt versão económica - Merkel estava "no pilar da economia alemã", mas não parecia. Cheio de carros pequenos e poupados, o salão de Frankfurt cheirava mais a um encontro de periféricos e menos à ostentação alemã "Temos todas as razões para acreditar que vamos continuar a crescer", e antes que alguém perguntasse "quanto", Merkel já sorria dentro de um Mercedes. Há 114 anos, quando a primeira edição do salão automóvel se realizou na Alemanha, dos 8 carros expostos no pequeno espaço do Hotel Bristol, em Berlim, todos eram movidos a gasolina, vapor ou electricidade. Nessa altura discutia-se muito qual seria o combustível do futuro e muitos apostavam no vapor. Havia água e lenha por todo o lado, mas o petróleo venceu. Mas a Frankfurt que vendia cavalos e berlinas transformou-se com a crise. Não faltam ideias, mas a maioria são económicas, sustentáveis. Seja pela utilização exclusiva da electricidade para automóveis urbanos e suburbanos, sejam eléctricos com extensor de autonomia, híbridos ou a hidrogénio. Tudo culpa dos combustíveis e da desaceleração da economia mundial, que está a transformar o consumo na Europa em mini-carros familiares com 70 cavalos e o mínimo possível de gasolina aos cem. Cá, os números são negros. Em Agosto, mercado automóvel nacional voltou a cair, naquele que foi o oitavo mês consecutivo de quebra de vendas. E já se espera que 2001 seja o pior ano em vendas desde a liberalização do mercado em 1988 M. P.4. Bruxelas protege Lisboa do FMI - O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse esta semana, com estrondo, que a redução da Taxa Social Única (TSU) tem de ser de 8,5 pontos percentuais já em 2012 (4% do Produto Interno Bruto), caso contrário a medida não tem efeito na economia. A exigência do Fundo - "um primeiro passo ousado" - teria um custo de 3,4 mil milhões de euros no orçamento do próximo ano. A ideia caiu mal no Governo que tem de cortar num défice brutal. Pior: a missão do FMI não quer ficar por aqui. Depois do corte em 2012, o Governo deve repetir a dose. Foi então que Bruxelas entrou em cena. Na primeira avaliação ao programa português, também divulgada esta semana, a Comissão sugeriu uma redução de 1% do PIB. É uma solução mais barata, custaria 1700 milhões de euros. Metade do que pede o FMI. Vítor Gaspar agradece. O ministro das Finanças e o primeiro-ministro só estão em condições de dar "um primeiro sinal em 2012". Cerca de metade da "ousadia" pedida pelo Fundo. L. R. R.5. Função pública perde o pêlo - Pode ser que desta funcione. Há seis anos, no primeiro governo Sócrates, tudo eram rosas e a mobilidade na Função Pública foi vendida como a derradeira solução para reformatar o Estado. Houve ministros que quiseram correr primeiro (Jaime Silva, na Agricultura, lembram-se?), criaram-se listas, abriram-se processos, assustaram-se pessoas. Não deu em nada. O ministro foi substituído e as providências cautelares acabaram com o resto. E a lei adormeceu, quietinha, até agora. Passos Coelho pegou esta semana na mobilidade para desinstalar funcionários e dirigentes. Não só corta serviços e organismos como desenhou um mecanismo que impede que os cortados voltem ao cargo de origem. Sem lugar em lado nenhum, os funcionários caem no limbo, pressionados por cortes salariais que aumentam à medida que os meses passam. É justo? Não. O problema da primeira mobilidade foram os critérios. Ninguém aceita passar para uma lista negra se não souber porquê. É dessa falta de transparência que se alimentam os sindicatos e as providências cautelares. E é esse o desafio principal para este Governo. M. P.6. Os êxitos musicais que embalam a Grécia - A Grécia é um êxito musical. Não faltam canções para a embalar neste momento em que dança com a bancarrota . 'It's the final countdown' - o hit dos Europe, lembra-se, em 1986? Ou então, 'This is the end', num tom mais melancólico - The Doors, 1967, com o fantástico Jim Morrison a cantar: "Este é o fim, belo amigo; Este é o fim, meu único amigo; O fim dos nossos elaborados planos; O fim de tudo que permanece; O fim, sem salvação ou surpresa." A Grécia encontrará a melodia que quiser para estes dias chuvosos, mas há muito que quem lhe marca o ritmo vem de fora; não é grego e não guarda simpatia nenhuma pelo desgoverno das contas públicas helénicas. A dívida pública (conhecida) já está nos 142,8% do PIB. Este ano, a economia vai recuar pelo menos 5%, depois de já ter regredido 4,5% em 2010. Ou seja, receitas fiscais a cair, privatizações quase paralisadas, e a troika de nervos em franja. A Grécia é uma bola de neve dentro de um forno. Só há uma saída: o perdão de uma parte significativa da dívida pública; pelo menos, 30%, talvez até 50%. Os credores privados teriam de aceitar esta troca para garantir que não perdiam tudo. A alternativa é o regresso do velho dracma, que seria um verdadeiro drama não apenas para a Grécia, mas também para Portugal e Irlanda. Na terça-feira, 13, Willem Buiter do Citigroup, escreveu um research cristalino: "Logo que a Grécia tenha saído, a expectativa é que os mercados se foquem nos outros países com mais probabilidade de seguir o mesmo caminho." A. M.7. Fantasma Kerviel volta a assombrar - Kweku Adoboli passou esta semana de um total desconhecido ao homem do momento. Tudo porque o corretor foi responsável por um rombo de 1,46 mil milhões de euros no UBS. A fraude fez renascer o nome de Jerôme Kerviel, o 'rei' das operações não autorizadas nos mercados que detém, por enquanto, o galardão de "A maior fraude cometida por um trader". Mas o jovem Adoboli nem sempre fez vida a fazer contas num Excel e a comprar e a vender na bolsa. De origem ganesa e com 31 anos, Kewku é licenciado pela Universidade de Nottingham, onde estudou informática e gestão, e andou nas melhores escolas privadas inglesas, como a Ackworth School, sendo descrito pelos amigos como "um génio" dos computadores. Trabalhava durante longas horas, muitas vezes à noite, e vivia num loft, na City Londrina, com uma renda de 1.144 euros por semana. Se bem que para todos os que com ele conviviam era visto como uma homem relaxado e feliz, a verdade é que recentemente Kewku começou a queixar-se das pressões do trabalho, em especial desde que explodiu a crise mundial. Descrevia o trabalho como "uma luta" e, dizem, andava algo apreensivo. Na sua página do Facebook, dizia gostar de música e citava três artistas favoritos: o cantor de hip hop MC Xander, o africano Fela Kuti e a britânica Gwyneth Herbert. A sua última mensagem no mural do Facebook foi "i need a miracle". O milagre não chegou. Chegaram, sim, as autoridades. T. F. S.