BCE corta taxas diretoras pela segunda vez este ano

A descida em 0,25 pontos percentuais das taxas diretoras do Banco Central Europeu segue-se à redução, em igual medida, verificada em junho deste ano. O BCE espera que inflação na zona euro atinja o objetivo de 2% no segundo semestre do próximo ano.
Christine Lagarde, presidente do BCE. Foto: AFP
Christine Lagarde, presidente do BCE. Foto: AFP
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Tal como o mercado antecipava, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou hoje o corte das suas taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais. A taxa de facilidade permanente de depósito passa para 3,5%, a taxa de refinanciamento cai para 3,65% e a taxa de cedência de liquidez baixa para 3,90%, a partir de 18 de setembro.  

"Tendo em conta a avaliação atualizada realizada pelo Conselho do BCE quanto às perspetivas de inflação, à dinâmica da inflação subjacente e à força da transmissão da política monetária, é agora apropriado dar mais um passo no sentido de moderar o grau de restritividade da política monetária", lê-se no comunicado do BCE. 

A taxa de inflação anual na zona euro em agosto baixou de 2,6% para 2,2%, de acordo com a estimativa rápida do Eurostat.

Trata-se da segunda descida de juros desde o início do ciclo de subidas, em julho de 2022, que levaram as taxas diretoras do BCE a passar de níveis historicamente baixos - quase zero e mesmo negativas - para os atuais valores em torno dos 4%.

A instituição liderada por Christine Lagarde começou a cortar nas taxas de juro no passado mês de junho, com um primeiro corte de 0,25 pontos percentuais.

Inflação a caminho do objetivo

O BCE prevê que a inflação fique, em média, em 2,5% em 2024, 2,2% em 2025 e 1,9% em 2026, "em consonância com o avançado nas projeções de junho", lê-se no comunicado. Na parte final deste ano a inflação ainda vai subir, antecipam os especialistas da instituição de Frankfurt,  "parcialmente porque anteriores quedas acentuadas dos preços dos produtos energéticos deixarão de ser incluídas nas taxas homólogas", mas o BCE espera que "no segundo semestre do próximo ano, a inflação deverá então descer no sentido do nosso objetivo". A missão do banco central da zona euro é colocar a taxa de inflação no limite dos 2%.

O aumento dos salários tem sido um dos indicadores vigiado pelo BCE e que tem levantado preocupações pela pressão sobre os preços. Nesta matéria, o BCE diz agora que "os salários continuam a aumentar a um ritmo elevado. Contudo, as pressões sobre os custos do trabalho registam uma moderação e os lucros estão a amortecer parcialmente o impacto dos salários mais altos na inflação".

O BCE aponta também para as condições de financiamento da economia, dizendo que "permanecem restritivas", e para a atividade económica, que "ainda é moderada, refletindo a fraqueza do consumo privado e do investimento".

As projeções apontam para que a zona euro cresça 0,8% em 2024, 1,3% em 2025 e 1,5% em 2026. "Tal constitui uma ligeira revisão em baixa face às projeções de junho, que advém sobretudo de um contributo mais fraco da procura interna nos próximos trimestres", sublinha o BCE.

Sobre futuras mexidas nos juros, Christine Lagarde reafirma que o BCE "está determinado a assegurar o retorno atempado da inflação ao seu objetivo de médio prazo de 2%. Para o efeito, manterá as taxas de juro diretoras suficientemente restritivas enquanto for necessário".

E reitera a intenção de "seguir uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na determinação do nível e da duração adequados da restritividade".

As próximas decisões "basear-se-ão na avaliação das perspetivas de inflação, à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados, da dinâmica da inflação subjacente e da robustez da transmissão da política monetária. O Conselho do BCE não se compromete previamente com uma trajetória de taxas específica", sinaliza Lagarde.

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