BES injetou dinheiro na ESI através do Bank of Panama durante dois anos

Durante dois anos, o BES usou o ES Bank of Panama para financiar a holding de topo do grupo, a Espírito Santo International (que detinha indiretamente 25% do banco). A notícia é dada pelo Financial Times, que cita documentos a que teve acesso e diz que esta descoberta volta a pôr em causa "a supervisão do Banco de Portugal" a uma instituição que acabou or "sofrer um dos maiores colapsos financeiros da Europa".
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O banco nunca terá declarado estes movimentos nas suas contas. E apesar de o Banco de Portugal ter assumido que detetou "financiamento fraudulento" envolvendo as empresas não financeiras do Grupo Espírito Santo, só agora é conhecido o papel do Bank of Panama no esquema de financiamento da ESI nos últimos dois anos. Questionado pelo Financial Times, o Banco de Portugal não quis comentar o caso, tão pouco acrescentar nada sobre a substituição de alguns membros da sua equipa que terão estado relacionados com o caso BES.

O mesmo jornal explica que, de acordo com documentos a que teve acesso, desde 2012, o BES abriu linhas de crédito ao seu banco no Panamá (detido pela Espírito Santo Financial Group), que depois usou esse dinheiro para comprar dívida da ESI e das suas subsidiárias Rioforte e Espírito Santo Irmãos. E adianta que os movimentos feitos através do ES Bank of Panama estão a ser investigados na auditoria independente encomendada pelo Banco de Portugal à PriceWaterhouse Coopers.

Em março, a exposição do BES ao banco no Panamá era de 210,6 milhões

de euros enquanto em junho já ascendia a 342,2 milhões de euros, sendo

este valor referente a crédito. Entretanto, a 18 de julho, o regulador

bancário do Panamá assumiu o controlo temporário deste banco face à sua

falta de liquidez e "potencial insolvência".

Como o BES financiava a ESI

Segundo o Financial Times, a forma como o BES durante dois anos, injetava dinheiro nas suas holdings era uma espécie de carrossel.

Ou seja, o BES tinha uma linha de crédito a favor do ES Bank of Panama, financiando a instituição sul-americana. Esta, por sua vez, comprava dívida da ESI, holding de topo que detinha 50% da ESFG e, através desta, 25% do BES. Da mesma forma, a Espírito Santo Financière (detida a 100% pela ESFG) emprestava dinheiro à ESI e vendia papel comercial aos clientes do BES.

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