Big Data e Inteligência Artificial: a ciência e a tecnologia de mãos dadas pelo futuro da saúde

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A saúde tem um papel importante, eventualmente o mais relevante, na longevidade de um indivíduo. À medida que o mercado da tecnologia da saúde amadurece, torna-se ainda mais necessário explorar as possibilidades que a inovação deve ter para dar resposta aos principais desafios na área da saúde, particularmente com o aparecimento de doenças agudas, e sobretudo crónicas, associadas ao envelhecimento da população. Termos vidas mais longas, é bom! Termos baixa qualidade nessa "mais vida" é mau e não devemos aceitar! A nossa ambição deve ser melhorar a qualidade da nossa vida nos últimos 15-20 Anos. É muito tempo para poder ser desperdiçado!

A realidade é que Portugal, assim como outros países da Europa, tem vindo a registar, nas últimas décadas, profundas transformações demográficas caracterizadas pelo envelhecimento da população e crescimento de doenças crónicas. É útil referir que segundo um estudo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), mais de metade dos portugueses têm pelo menos uma doença crónica. Mencione-se ainda que o Instituto Nacional de Estatística (INE) refere que, nos próximos 50 anos, Portugal perderá população e que o número de idosos (mais de 65 anos) passará de 2,2 para 3 milhões, enquanto o número de jovens diminuirá de 1,4 para cerca de 1 milhão.

Face a estes números, torna-se clara a necessidade de soluções inovadoras na área da saúde. E, num mercado onde o papel da tecnologia é cada vez mais notório, encontramos uma oportunidade para integrar a inteligência artificial (IA) no setor da saúde. Uma verdadeira era de avanço tecnológico que representa uma revolução neste setor com possibilidades "infinitas". E, embora a medicina baseada em evidência tenha sido extremamente eficaz na redução da mortalidade na última metade do século, temos uma oportunidade para tornar mais eficiente a análise de dados, capacidade de diagnóstico e contrariar o fardo económico, em alguns países desenvolvidos, associado ao crescimento da esperança média de vida.

Falamos assim de uma utilização da IA para auxiliar na gestão das doenças crónicas e agudas, questões ligadas à genética, falta de acesso geográfico e cuidados após tratamentos. Apesar da indústria farmacêutica ainda se centrar, essencialmente, na evidência "tradicional", devemos encarar a IA como um ramo da medicina de precisão que é especificamente focado na promoção da esperança de vida e do bem-estar, com inúmeras vantagens desde o diagnóstico médico à melhoria da vida do doente. Afinal, a IA confere a possibilidade de os especialistas tomarem uma decisão mais acertada num menor período de tempo.

Com uma abordagem clara, esta poderá permitir-nos encontrar padrões complexos em grandes volumes de dados, em que através das redes neurais que utilizam a computação de alta-performance, permitem auxiliar na área da saúde. Falamos do deep learning que foi um avanço científico dentro da IA e deve começar a fazer parte das ferramentas dos médicos para melhorar a qualidade de vida dos doentes. Mencione-se ainda que a medicina alimentada por IA facilita a identificação de medicamentos para indivíduos específicos. Permitem também, a identificação de biomarcadores de envelhecimento e longevidade para melhorar o estudo do envelhecimento e das trajetórias das doenças. Ajuda ainda na identificação de intervenções que podem ajudar a desacelerar ou até mesmo reverter o envelhecimento biológico (físico ou mental).

Temos consciência de que, no futuro, a IA poderá ajudar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) na gestão de recursos financeiros e humanos. Junte-se ainda a facilidade de acesso, em que as ferramentas associadas à medicina da longevidade - possibilitada pelos "wearables" e tecnologias minimamente invasivas (são relativamente acessíveis e assim limitam os desafios financeiros) - ajudam a promover a saúde pública a uma escala maior.

A IA, é uma ajuda na indispensável resposta a necessidades atuais, constituindo uma extensão das capacidades humanas, mas sem as substituir.

António Leão, diretor-geral da Lilly Portugal