Carlos Tavares: "Crise dos chips vai durar até final do ano"

Português que lidera aliança Stellantis volta a questionar benefícios ambientais dos automóveis totalmente elétricos em comparação com os híbridos
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A escassez de semicondutores para a indústria automóvel vai durar até ao final deste ano. O aviso foi deixado pelo presidente executivo da aliança Stellantis, Carlos Tavares, em entrevista divulgada nesta terça-feira pelo jornal Corriere Della Sera. O gestor português também voltou a questionar os benefícios ambientais dos veículos totalmente elétricos.

"A crise [dos semicondutores] vai durar pelo menos até ao final do ano. A partir do verão, a nova capacidade de produção criada a nível mundial poderá começar a repor o equilíbrio entre a procura e a oferta", antecipou o gestor.

Segundo Carlos Tavares, a falta de chips teve um impacto de 15% a 20% na produção automóvel mundial. "É algo muito assinalável. Temos de rever o nosso modelo de negócio e otimizar a parte da engenharia para protegermo-nos de problemas semelhantes no futuro", antecipou.

Em particular, o grupo Stellantis perdeu 2,1% das vendas na União Europeia em 2021, para 2,124 milhões de unidades, segundo os números divulgados pela associação europeia de fabricantes de automóveis nesta terça-feira.

A indústria automóvel tem sido uma das mais afetadas pela falta de semicondutores, componentes que são, em grande parte, fornecidos por diversos fabricantes asiáticos. Durante a primeira vaga da covid-19, em 2020, as fabricantes chegaram a congelar ordens de encomenda junto das empresas asiáticas.

Quando quiseram retomar os pedidos - devido à subida da procura - as fabricantes de automóveis tiveram de aguardar a reposição das linhas de produção nas unidades de semicondutores.

No momento em que completa um ano a aliança automóvel que junta os grupos Peugeot Citroën e Fiat Chrysler, Carlos Tavares também falou sobre a cada vez mais procura por veículos totalmente elétricos.

"Temos de falar sobre a pegada de dióxido de carbono das baterias. Com o atual sistema de produção de energia, um veículo elétrico tem de percorrer 70 mil quilómetros até começar a compensar as emissões de CO2 criadas pela produção de baterias", argumenta Carlos Tavares.

Em comparação, o líder português refere que um veículo híbrido custa metade de um carro exclusivamente a baterias "e tem benefícios imediatos na emissão de CO2.

O gestor teme ainda o prazo para o fim dos automóveis exclusivamente a gasolina ou a gasóleo, em 2035, seja demasiado curto para toda a indústria automóvel. "Sem uma transição suave, as consequências sociais serão profundas", alertou.

Carlos Tavares espera ainda que os governos mantenham os incentivos para a compra de veículos elétricos até 2025. Depois disso, o responsável diz que "não será sustentável, a nível orçamental", os países suportarem essa despesa.

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