Casas leiloadas e pagas a pronto

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Há boas oportunidades nos leilões de imóveis e há quem não as

queira perder. Mas com o agravamento das condições de acesso ao

crédito, as vendas de casas em leilão estão a registar um

abrandamento e, como consequência, já começa a emergir um novo

fenómeno: a compra de imóveis a pronto pagamento.

Quem tem capital aproveita assim as oportunidades levadas a leilão

- que nalguns casos podem mesmo chegar a ultrapassar os 40% de

desconto -, e compra sem recurso a financiamento.

"As compras a pronto pagamento têm registado um certo

crescimento talvez decorrente da transferência do aforro tradicional

por via dos depósitos para o investimento imobiliário",

adiantou Ana Ferro, directora comercial da Luso-Roux, uma das

principais leiloeiras do país.

Este efeito crescente da compra de casas a pronto pagamento, por

parte de particulares, "resulta essencialmente do efeito de

dificuldade de acesso a financiamento versus pessoas que têm

dinheiro disponível e optam assim por comprar a pronto",

acrescentou Ana Ferro.

Embora a leiloeira, até Agosto, tenha levado a leilão cerca de

1200 casas, um número semelhante ao do mesmo período do ano

anterior, venderam-se menos imóveis. Enquanto até Agosto desde ano

foram rematadas 700 casas, no mesmo período do ano passado

venderam-se 800 imóveis.

A origem dos imóveis é diversificada: banca, promotores

imobiliários, empresas de construção civil, e até particulares.

Apesar do aumento do incumprimento no crédito, o recurso dos

bancos a este tipo de solução para escoar as casas que lhes ficam

nas mãos, e que pertenciam a particulares que deixam de pagar as

prestações, não tem registado um aumento. "A procura da banca

está relativamente estável quando comparada com igual período de

2010", adiantou a responsável da Luso-Roux.

O arranque dos leilões, depois de um intervalo nos meses de

Verão, acontece com três leilões com imóveis exclusivamente

proveniente de dois do maiores bancos a nível nacional.

O primeiro leilão ocorre já este fim-de-semana, dia 18 de

Setembro em Lisboa, com 80 imóveis para venda cuja base de licitação

do mais barato começa nos 8.000 euros e a do mais caro nos 84.000

euros.

No fim-de-semana seguinte (dia 24, no Porto, e 25 de Setembro, em

Lisboa) são levados a leilão um total de 112 imóveis com bases de

licitação que começam nos 20.000 euros e vão até 112 mil euros.

Diário de Notícias
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