O secretário de Estado das Finanças diz que a suspensão da série E dos certificados de aforro é "para fazer uma correta gestão da dívida pública, há zero de cedência à banca", diz João Nuno Mendes, em declarações à imprensa esta tarde no Ministério das Finanças. "Há uma adaptação das taxas de remuneração, que reconhecemos", acrescenta o governante, que sublinha que os juros desta nova série estará "em linha com a remuneração noutras fontes de financiamento". O "Estado português tem de se preparar para o acréscimo de juros", afirma João Nuno Mendes.
"Pode não ser a decisão mais popular, mas é a decisão certa, estamos convictos das razões que temos", frisa. "Esta é a decisão do ponto de vista técnico mais acertada para Portugal, para a dívida pública. É a decisão certa tendo em conta a escala da procura", adianta.
João Nuno Mendes explica que "a agência de gestão da dívida pública portuguesa tem feito um enorme esforço para acomodar a extraordinária procura de subscrição de certificados que temos tido, planeávamos este ano inteiro fazer cerca de 3,5 mil milhões de euros, temos feito 10 mil milhões em sensivelmente cinco meses, que é absolutamente extraordinário, e também havia a necessidade de adequar aquilo que é a taxa de remuneração dos certificados ao nível da remuneração dos restantes financiamentos da República".
A nova séria de certificados de aforro anunciada ontem à noite, e que será lançada na segunda-feira, vai oferecer uma taxa máxima de 2,5%, menos 1% face aos 3,5% da série E, que assim termina.
As declarações do secretário de Estado surgem depois de reações políticas negativas à medida do governo.
O PCP requereu hoje a audição urgente do secretário de Estado das Finanças. Num requerimento a que a Lusa teve acesso, o grupo parlamentar do PCP salienta a forma repentina como a suspensão da emissão dos Certificados de Aforro (CA) da série E foi anunciada, na noite de sexta-feira, para justificar a audição urgente do secretário de Estado João Nuno Mendes, na Comissão de Orçamento e Finanças.
Também Marcelo Rebelo de Sousa pediu hoje à banca "um esforçozinho" para pagar melhor os depósitos. A procura por certificados de aforro, diz o Presidente da República, é sinal de que "os portugueses acham que aquilo que a banca está a pagar é pouco e procuram nos certificados de aforro uma compensação".