Coopérnico: investir numa elétrica portuguesa amiga do ambiente

O polaco Nicolau Copérnico desenvolveu no século XV a teoria heliocêntrica, que colocava o Sol no centro do universo, com todos os planetas a girar sobre ele. O mesmo faz a Coopérnico desde novembro de 2013: a primeira cooperativa de energia amiga do ambiente a partir de painéis solares instalados nos telhados de IPSS.
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"A ideia surgiu do investimento de poupança em áreas sustentáveis. Começámos com a falar com amigos e a família. Em 2012 criámos a Quinta do Caracol, em Tavira. Chegámos à conclusão que tinha sido tão fácil arranjar o investimento para este espaço que valia a pena expandir. Foi por isso que começámos a alugar telhados em IPSS. A partir de novembro de 2013, com um segundo projeto, vimos que isto poderia ser um modelo de negócio", explica Nuno Brito Jorge ao Dinheiro Vivo.

Novembro de 2013 foi marcado pela primeira assembleia geral, que contou com 16 fundadores. Foi aí que ficou definido um modelo que para muitos "ainda gera receios e é associado a um sistema comunista", explica o líder da Coopérnico. Este é mesmo apontado como uma das razões que ainda afasta potenciais interessados nesta cooperativa.

A entrada na Coopérnico faz-se através da aquisição de "pelo menos três títulos de capital social, que obrigam a um investimento mínimo de 60 euros (20 por cada título)". Cada membro, a partir desse momento, tem duas hipóteses. Pode ser um mero cliente - a Coopérnico comercializa energia através de um parceria com a Enforcesco [lowcost na área da energia] - ou pode mesmo investir em projetos de energia solar.

A cooperativa, neste ponto, já tem seis projetos de energia fotovoltaica totalmente financiados. Tem atualmente uma campanha em que pretende subir para 100% a participação num consórcio com três cooperativas europeias de energias renováveis, que ajudou a Coopérnico nos primeiros projetos.

Como investir?

A participação nos projetos da Coopérnico é feita através de um investimento direto e não como numa campanha de crowdfunding (financiamento coletivo), cada vez mais usada por várias empresas. "Os projetos têm uma taxa de rentabilidade de 4% por ano. Este investimento está garantido porque o Estado cumpre com a compra de energia renovável.

A Coopérnico é responsável pelo pagamento de juro e a devolução dos títulos de capital. "É um formato semelhante ao do crédito à habitação. Se eu investir mil euros num projeto, recebo 140 euros no primeiro ano: 100 euros em capital e 40 euros em juro.", detalha Nuno Brito Jorge

Futuro hídrico

Esta cooperativa, além de já produzir energia 100% limpa para "o equivalente ao consumo de 190 famílias", quer ser, a partir de 2017, "100% responsável pela comercialização de energia". É necessário, para isso, que sejam "apresentadas as garantias financeiras" junto da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

Até lá, em 2016, a Coopérnico quer "cumprir as obrigações perante a EDP Comercial e a REN, para o transporte e distribuição da eletricidade distribuída por nós".

A Coopérnico pretende ainda "apostar nas mini-hídricas, em pequenas linhas de água, para podermos diversificar as nossas fontes de energia", conclui Nuno Brito Jorge.

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