Costa Boal investe mais de três milhões em boutique hotel

São 14 quartos que vão estar disponíveis na Quinta de Arufe, Alijó, em 2027. Projeto remonta a 2024, mas só abre portas no próximo ano.
“Não podemos não ter onde receber as pessoas, quando querem visitar as nossas quintas, ou mesmo clientes”, explica António Boal.
“Não podemos não ter onde receber as pessoas, quando querem visitar as nossas quintas, ou mesmo clientes”, explica António Boal.Foto: DR
Publicado a

Quando comprou a propriedade em Favaios, António Boal sabia que queria usá-la para entrar no Enoturismo. A aquisição da quinta foi feita em 2024, com o objetivo de ter uma adega, um hotel e um restaurante com 14 quartos - a ideia é que cada um receba o nome de uma variedade diferente de uvas nacionais - e não fossem os sucessivos atrasos nas obras, já devia estar a receber público.

Na Quinta do Arufe, há 5 hectares de vinha que rodeiam o empreendimento, e de onde já saem referências da Costa Boal. O projeto incluiu a recuperação do edifício original de 1920 e quer ser uma referência no enoturismo sustentável, promovendo o contacto direto com a natureza e o Douro.

“Não podemos não ter onde receber as pessoas, quando querem visitar as nossas quintas, ou mesmo clientes”, explica António Boal ao Dinheiro Vivo, num encontro que incluiu o lançamento das novas referências de Vinhas Velhas que a empresa produz em Trás-os-Montes.

“Vamos ter também uma sala de provas, e vamos promover passeios turísticos que incluirão as nossas propriedades e as nossas vinhas, continua o empresário. António Boal é o rosto da empresa familiar que nasceu em 2009 - apesar de a família se dedicar à viticultura há mais de 50 anos - e que se tem afirmado como uma referência nos vinhos do Douro, Trás-os-Montes e Alentejo. Com a ajuda da mão firme e experiente do enólogo Paulo Nunes - que assina outros vinhos reconhecidos como os Casa da Passarella e os da sua própria marca, Casa da Réssa - os Costa Boal têm conseguido conquistar o mercado nacional, surpreendendo por não se deixarem levar pelas tendências que fizeram muitos produtores dançar entre os perfis de vinho ao longo dos últimos anos.

“Temos atualmente 85 hectares de vinha entre as três regiões”, adianta ainda António Boal, esquivando-se à questão sobre se pensa continuar a crescer. “Estamos sempre a olhar. Até porque está a acontecer no Douro algo que é impressionante, que é o abandono de vinhas, sobretudo por parte de pequenos produtores”. A crise que está a afetar a região - estima-se que este ano a vindima vá novamente produzir uma quantidade cerca de três vezes superior à procura - tem-se intensificado nos últimos anos, sobretudo devido à quebra acentuada e consistente do consumo, numa altura em que a produção não desce e não há sinais de que medidas diferentes das que têm sido tomadas em anos anteriores sejam tomadas.

Em França, por exemplo, tem-se arrancado muitas vinhas para fazer face à descida do preço das uvas no produtor, mas Portugal ainda tarda em adotar medidas musculadas, consideram os produtores.

António Boal está apreensivo, mas recorda que o seu foco na exportação tem ajudado a navegar os tempos mais turbulentos do setor. Brasil e Angola são, há vários anos, os principais mercados para onde vende, “e o Canadá tem-se tornado também muito importante” nos últimos tempos, revelou. A Costa Boal Family Estates apresentou, à chegada do verão, três novas referências de vinho produzido em Trás-os-Montes - todos eles provenientes de Vinhas Velhas, de colheitas entre 2021 e 2023 - que são acima de tudo uma imagem clara de onde se quer posicionar em termos de preço e de público. Para António Boal, Trás-os-Montes continua a ser uma região ainda subvalorizada entre os consumidores, e é esse trabalho de valorização que, diz, espera estar a conseguir fazer com Paulo Nunes e os vinhos Palácio dos Távoras. Com preços que variam entre os 25 e os 85 euros, perfis vincadamente tradicionais - entre 13% a 14,5% de álcool, acidez marcada e bastante complexos - querem servir os clientes nacionais, mas chegar também a um público mais premium, que considera o preço um sinónimo de qualidade.

É, também, de olhos postos nesse cliente, que abre o boutique hotel em Favaios, certo de que conseguirá valorizar toda a sua produção se contar a história do Douro, e nela entrelaçar as das outras regiões onde opera.

Para o restaurante, ainda não está escolhido o nome de quem assinará a carta, mas há suspeitas. Justa Nobre tem sido a cozinheira de eleição de António Boal, e é pública a preferência do empresário por comida de Trás-os-Montes. “Mas ainda não sei nada”, garante com um sorriso.

Recorde-se que António Boal tem ainda um outro projeto vínico em conjunto com Francisco Costa - o eterno Costinha, antigo internacional do futebol português - no qual produzem vinhos para um segmento assumidamente premium e no qual só engarrafam em formato mínimo de magnum (1,5 litros).

Para já, de olhos postos em 2027, António Boal espera apenas que não haja mais atrasos nas obras, para que o enoturismo venha dar novo impulso à operação e ao negócio.

“Não podemos não ter onde receber as pessoas, quando querem visitar as nossas quintas, ou mesmo clientes”, explica António Boal.
Quinta dos Loivos: há uma nova marca a nascer no Douro
“Não podemos não ter onde receber as pessoas, quando querem visitar as nossas quintas, ou mesmo clientes”, explica António Boal.
Milionário brasileiro quer mais quintas no Douro onde já investiu 65 milhões
Diário de Notícias
www.dn.pt