Costa. "Chegou o momento de pôr em marcha a recuperação"

O primeiro-ministro abriu a Cimeira Social que decorre esta sexta-feira no Porto, reafirmando a importância do Estado social, reforçada pela pandemia de covid-19.
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"Chegou o momento de pôr rapidamente em marcha a recuperação económica e social com base nos motores das transições climática e digital", anunciou o primeiro-ministro, António Costa, na sessão de abertura da Cimeira Social, a decorrer no Porto, mas avisou que essa recuperação "só será sustentável e bem-sucedida se for justa e inclusiva."

Na presença dos líderes europeus, Costa reconheceu que as transformações também resultam em desemprego e necessidades de novas qualificações e deu o exemplo da refinaria da Galp de Matosinhos que está em fase de encerramento.

"Matosinhos vai dar um contributo muito bem-vindo para o esforço de redução das emissões de CO2. É verdade. Mas também é verdade que o fecho da refinaria elimina os postos de trabalho de centenas de trabalhadores, os da própria refinaria e de outras atividades a ela ligadas", reconhecendo que estes trabalhadores serão "obrigados a mudar de emprego, ou a requalificarem-se para as novas atividades que aí virão a desenvolver-se."

Para o primeiro-ministro, a pandemia veio provar a importância de um Estado social forte, num momento de "exceção", mas também os problemas que foram destapados. "A covid-19 revelou a importância de termos um Estado social forte. Revelou também as múltiplas fragilidades que ainda subsistem nas nossas sociedades", afirmou perante dos 24 chefes de Estado e de governo presentes no Porto.

"A recuperação não pode atender apenas à emergência presente", frisou o chefe do governo, alertando para a necessidade de ir além do combate aos "efeitos imediatos da crise", mas que não pode "permitir negligenciar os desafios estratégicos que tínhamos e ainda temos à nossa frente", sublinhou.

"A emergência sanitária que agora vivemos acresce à emergência climática que já vivíamos. Esta é também a década da Europa Digital, da transformação digital das nossas economias e das nossas sociedades e da afirmação da Europa digital à escala global", acrescentou.

A Cimeira Social decorre esta sexta-feira no Porto, no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia com a presença de 24 dos 27 chefes de Estado e de Governo da União Europeia, reunidos para definir a agenda social da Europa para a próxima década. E o primeiro-ministro mostrou-se confiante para um compromisso. "Acho ques estamos em boas condições para sairmos daqui com um compromisso de apoio à execução do plano de ação dos direitos sociais", afimrou à chegada à Alfândega do Porto.

Também presentes no evento, que decorre em formato 'online' e presencial na Alfândega do Porto, estão, além da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, os presidentes do Parlamento Europeu, David Sassoli, e do Conselho Europeu, Charles Michel, assim como os vice-presidentes executivos da Comissão Margrethe Vestager e Valdis Dombrovskis, o Alto Representante Josep Borrell e os comissários Elisa Ferreira, Mariya Gabriel e Nicolas Schmit, além de outros líderes políticos e institucionais, parceiros sociais e sociedade civil.

Definida pela presidência portuguesa como ponto alto do semestre, a Cimeira Social tem no centro da agenda o plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado pela Comissão Europeia em março, que prevê três grandes metas para 2030: ter pelo menos 78% da população empregada, 60% dos trabalhadores a receberem formação anualmente e retirar 15 milhões de pessoas, cinco milhões das quais crianças, em risco de pobreza e exclusão social.

Notícia atualizada às 15h30 com mais declarações