Numa era em que o grau de formação é cada vez maior e que o acesso a informação, através da internet, está mais facilitado, não é arriscado afirmar que o consumidor de hoje está mais bem informado do que nunca. Ainda assim, é importante questionar fontes e perceber se a informação que se está a receber é de facto fidedigna e para isso nada melhor do que falar com especialistas, a quem o consumidor pode recorrer e deve ouvir. Na hora de contratar um crédito habitação, tal como de escolher outro produto ou serviço qualquer, o essencial e o maior direito do consumidor é o de ter informações para tomar decisões informadas. Ficam aqui quatro recomendações para que a decisão final seja sempre sua.
Não mude de banco se não quiser: Ter uma conta num banco e contratar um crédito habitação de outra instituição é possível e uma escolha pessoal. Cada um deve analisar qual a instituição em que quer ter a sua conta-ordenado, conta-poupança e junto da qual pretende contratar o crédito habitação ou qualquer outro produto. No estudo "Casa_PT", realizado em parceria com o Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa, 85,2% dos inquiridos que compraram casa nos últimos 3 anos com recurso a financiamento contactaram o seu Banco habitual. Mas não o faça só porque dá muito trabalho ter de abrir uma nova conta, domiciliar ordenado e mudar os débitos diretos, porque há alternativas que não obrigam a nada disso.
Subscreva apenas os produtos que necessita: Outra tendência referida no estudo "Casa_PT" é para a contratação de produtos bancários adicionais para ter um spread de crédito habitação menor, algo que 52,9% dos inquiridos que compraram casa nos últimos 3 anos com recurso a financiamento dizem ter feito. Mas analise bem esses produtos e verifique através do MTIC e da TAEG o impacto que têm sobre os custos do crédito habitação, porque esses produtos podem ter custos associados que anulem a poupança que pensa vir a ter com o spread. E tenha também em conta que ao aceitar fazer o spread depender de outros produtos bancários está a assumir um compromisso adicional, o que significa que se daqui a uns meses precisar de cancelar algum dos produtos isso fará com que o spread contratado volte ao valor base.
Pense além do spread: O spread é um dos fatores a considerar no momento de analisar diferentes propostas de crédito habitação e é a taxa mais conhecida, tanto que 42,6% dos inquiridos no estudo "Casa_PT" que compraram casa nos últimos 3 anos com recurso a crédito habitação o apontam como um dos indicadores decisivos para a escolha. Mas veja a floresta e não a árvore. O spread é apenas um dos custos do crédito habitação, para ter uma imagem mais concreta da totalidade dos custos de uma proposta de crédito habitação deve considerar a TAEG e o MTIC.
Não se iluda com prazos: Quanto maior é o prazo do crédito menor é a prestação, mas também é maior o valor dos juros que pagará na totalidade do empréstimo. Não se deixe ir pela lógica de que quanto maior o prazo melhor, é importante que teste diferentes prazos para o crédito habitação e que analise o impacto na totalidade dos custos através do MTIC e da TAEG. O ideal é que encontre um ponto ótimo entre prestação e custo total do empréstimo, ou seja, escolher o prazo mais curto possível que lhe permita ter uma prestação confortável para a sua capacidade financeira e que não o faça estar sujeito ao pagamento de juros durante mais tempo do que o necessário. Lembrando uma velha máxima: é fazer as contas!
Pedro Megre, CEO da UCI Portugal