A estreia dos CTT em Bolsa não podia ter corrido melhor. A negociação das ações dos Correios arrancou agora e já valorizam quase 7% para os 5,9 euros.
De acordo com os dados da Euronext Lisbon, as ações dos CTT iniciaram a negociação nos 5,9 euros, o que representa uma valorização de 6,9% face aos 5,52 euros a que foram vendidas na Oferta Pública de Venda, tendo sido negociadas mais de 8 milhões de títulos.
Tendo em conta este preço por ação, os CTT estão agora avaliados pelo mercado em 885 milhões de euros, ou seja, valem mais 57 milhões face aos 828 milhões iniciais, representando a 18ª maior capitalização da Bolsa à frente de cotadas como a Altri, a Sonae Indústria e a Cofina.
"É uma subida importante, dentro do que eram as expectativas, e acho que a ação tem potencial. A operação correu bem e o atrativo do dividendo, bem como a possibilidade de lançarem um banco postal, geram interesse dos investidores", disse Gualter Pacheco, broker da Go Bulling no Porto, citado pela Reuters.
"O preço continua a evidenciar o interesse dos investidores, mesmo depois da forte procura que registou (no IPO) e que levou a que fosse colocado no máximo do intervalo previsto", disse João Cabeçana, analista do Banco BIG, citado pela agência.
Resultados da OPV
De acordo com os resultados da Oferta Pública de Venda (OPV) ontem revelados em sessão especial de Bolsa, a procura por ações dos Correios superou nove vezes a oferta. O Estado vai encaixar 579 milhões de euros com a operação e 56,8% do capital dos CTT ficará em mãos nacionais.
"Foi uma operação muito bem sucedida. O sucesso é demonstrado pelo forte interesse investidor e amanhã [hoje] arranca um novo ciclo. Missão cumprida", afirmou ontem o presidente dos CTT, Francisco Lacerda, durante a apresentação dos resultados da OPV.
Ao terceiro dia a procura já tinha superado a oferta e, no final da operação, a procura total acabou por ser 9,04 vezes superior à oferta. Os CTT partem hoje com 25 433 novos acionistas, dos quais 98,9% são portugueses residentes maioritariamente em Lisboa (35%) e no Porto (18%). A maioria, 8579 investidores, vai receber entre 100 a 500 ações da empresa, mas houve quase 3400 investidores a conseguirem ficar com mais de 2500 títulos.
No que diz respeito às ordens dadas por investidores institucionais na operação, apenas 23% vieram de Portugal. Da parte internacional, 27% das ordens vieram do Reino Unido, 13% dos Estados Unidos, 10% da Alemanha e os restantes 27% de outros países.
Questionado sobre a nova estrutura acionista, Francisco Lacerda não avançou com nomes mas explicou que a operação se dirigiu a institucionais que não adquiriram grandes posições na companhia. Nos próximos dias serão reveladas as participações qualificadas superiores a 2%. Certo é que o presidente dos CTT garantiu que "56,8% do capital ficou em mãos nacionais, incluindo os 30% detidos pela Parpública, e os restantes 43% em investidores estrangeiros". A participação de 30% que fica nas mãos do Estado poderá ser vendida, se o Governo assim o decidir, nove meses após a entrada em bolsa dos CTT.
O encaixe com a OPV dos Correios atingiu os 104,5 milhões de euros do público em geral e 10,8 milhões dos trabalhadores dos CTT, e os investidores institucionais corresponderam a 464 milhões de euros do total da operação. Feitas as contas, o encaixe para o Estado atingiu os 579 milhões de euros.
"Esta operação foi uma decisão responsável mas também arrojada do Governo, em que se comprova que a ousadia e confiança são necessárias para a construção de uma economia sólida e moderna", afirmou ontem o ministro da Economia, António Pires de Lima.