Cutipol. Como se fazem as curvas de um faqueiro

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Foi durante um voo da companhia de aviões privados Gulfstream que os reis da Jordânia conheceram os talheres da Cutipol. Espante-se: a empresa familiar portuguesa é o principal fornecedor de faqueiros do Palácio Real da Jordânia. Mas a rainha Rania não é a única fã dos garfos e facas portugueses, produzidos em Caldas de Taipas, perto de Guimarães, há três gerações. A companhia aérea de luxo foi uma "janela de oportunidade para muitos dos nossos melhores clientes", conta David Ribeiro, administrador da empresa e um dos nove sócios. Ninguém sabe bem como nasceu o negócio: do empréstimo de quatro contos pedido por José Ribeiro (pai de David) a uma vizinha, às ajudas do sr. Braz, amigo da família, que trabalhava na área da distribuição, são muitas as histórias que se ouve em Caldas de Taipas, onde a fábrica da empresa foi construída. O nome Cutipol foi registado em 1964 e escolhido por José Ribeiro para que os ingleses o conseguissem pronunciar. Quase 50 anos depois, os herdeiros do negócio mantêm a exportação na lista dos principais objectivos da empresa. A Cutipol cresce entre 10% e 15% anualmente, em volume de exportações, sendo o mercado externo uma "aposta total" que representa 65% do volume de negócios da empresa. EUA, Alemanha, Japão, Coreia do Sul, Rússia e Emirados Árabes Unidos são os principais destinos dos cerca de 150 mil talheres produzidos por mês, nos 35 modelos disponíveis. O design dos faqueiros é, há 35 anos, da responsabilidade de José Joaquim Ribeiro, o terceiro filho dos fundadores da empresa. Na sua mesa de cabeceira não há livros: o designer da Cutipol usa-a para fazer o trabalho de casa. "Tenho um caderno onde desenho croquis de talheres e de máquinas, um por um. Quando tenho uma ideia não descanso enquanto não a ponho em papel", conta. Em 1994, tentou mudar a imagem da marca. "Comecei a desenhar modelos que não existiam no mercado e criei o Manhatan", conta José Joaquim. No ano seguinte, o modelo foi distinguido com o prémio do Centro Português de Design. A distinção marcou a viragem da empresa: a Cutipol, que até aí só vendia faqueiros para marcas como a Christofle [marca de luxo francesa], começou a ter linhas próprias e a ganhar clientes em todo o mundo. O recém-inaugurado hotel Ritz de Seul é um dos mais recentes, mas a lista é longa: Atlantis de Palm, no Dubai, Hilton em Hong Kong, e a cadeia de resorts de luxo Shangri-La são alguns dos principais clientes da empresa portuguesa, que também vende os faqueiros feitos em base de aço e níquel para alguns restaurantes distinguidos com duas e três estrelas Michelin.Com modelos disponíveis em quatro ligas diferentes (aço níquel, aço escovado, alpaca prateada - também conhecida por prata alemã - e pormenores a ouro), os faqueiros de 130 peças da Cutipol custam, em média, dois mil euros. Mas um modelo feito em prata maciça, o mais caro, pode chegar aos 10 mil euros. Na fábrica de Caldas das Taipas trabalham 75 pessoas e nas três lojas da marca - em Lisboa, no Porto e em Guimarães -, mais nove. Vânia Ribeiro, a irmã mais nova, é a responsável pela escolha das peças expostas em cada loja. A marca tem trabalhado com ceramistas portugueses, de maneira "a abrir um espaço mais artístico, único e exclusivo", mas o mercado português - onde a Cutipol não tem concorrência - é pequeno para escoar os faqueiros de alta gama da empresa, que pensa e desenha os produtos antes de construir as máquinas para os produzir. "Isso deixa-nos a imaginação livre para criarmos o que quisermos."RETRATOA Cutipol foi fundada por José Ribeiro como Antinox e registada com o nome actual em 1964. Na fábrica, em Caldas de Taipas, Guimarães, trabalham 75 pessoas. A Cutipol tem três lojas: Lisboa, Porto e Guimarães. A empresa tem nove sócios: José Manuel, José Augusto, José Joaquim, David, Cristina, Sara, Alice, Paula e Vânia. A empresa cresceu 12% em 2010. www.cutipol.pt

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