De oradora a CEO da Web Summit, Katherine Maher tem uma difícil missão entre mãos

Depois da polémica gerada pelas declarações de Paddy Cosgrave sobre o conflito entre Israel e o Hamas, a nova líder assume que o objetivo "é recentrar o foco" e garantir que o evento será "atrativo". Conheça o perfil da cara da cimeira que regressa a Lisboa entre 13 e 16 de novembro.
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Atribuladas. É assim que têm sido as semanas que antecedem mais uma edição da Web Summit, que volta a ocupar a Feira Internacional de Lisboa (FIL) entre 13 e 16 de novembro. Após a demissão de Paddy Cosgrave, provocada pelo anúncio de desistência de várias grandes empresas tecnológicas, na sequência das declarações do cofundador do evento sobre o conflito entre Israel e o Hamas, a cimeira de empreendedorismo confirmou a nomeação de uma nova CEO, Katherine Maher. "Estou feliz por anunciar que estou a juntar-me à Web Summit como CEO, porque acredito na missão de conectar pessoas e ideias que mudam o mundo", lê-se na declaração oficial publicada nesta semana pela organização.

Apesar de assumir que a "tarefa imediata" é "recentrar o foco" e voltar a posicionar o evento como um encontro dedicado à tecnologia, Maher tem uma difícil missão entre mãos. Recorde-se que multinacionais como a Apple, a IBM, a Siemens, Meta ou Alphabet (dona da Google) não quiseram participar na próxima edição da cimeira, que tem estado nas bocas do mundo pelos piores motivos. "Nas próximas semanas, a nossa atenção será garantir a entrega de um evento tão atrativo quanto qualquer outro que tenha vindo antes", escreve ainda a nova responsável. A organização continua a esperar a presença de 70 mil pessoas em Lisboa e conta com um recorde no número de startups confirmadas: mais de 2700, um terço das quais fundadas por mulheres.

Katherine Maher tem 40 anos, nasceu em Wilton, no estado do Connecticut, nos Estados Unidos, e tem um percurso sempre associado ao setor da tecnologia e ao ativismo. Desempenhou funções em organismos como a Organização das Nações Unidas e o Banco Mundial, onde defendeu a utilização de ferramentas tecnológicas como forma de endereçar os desafios da subnutrição, e até para o tratamento do VIH/SIDA.

Curiosamente, a personalidade que agora substitui Paddy Cosgrave nutre uma paixão pelo Médio Oriente, região que desde cedo procurou conhecer. Ao longo dos anos, viveu na Síria, no Líbano e na Tunísia, mas também a nível académico procurou aprofundar o conhecimento sobre a cultura e a política daquela zona do globo. Concluiu uma licenciatura pelo Instituto de Língua Árabe na Universidade Americana do Cairo, em 2003, e juntou ao currículo, em 2005, um bacharelato em Estudos do Médio Oriente e Islâmicos na Universidade de Nova Iorque.

Na sua página na rede profissional LinkedIn, Katherine Maher descreve-se como "uma defensora de longa data de sociedades livres e abertas", destacando alguns dos seus contributos para a proteção dos direitos humanos ao longo dos anos.

Maher é esperada no palco principal da Web Summit a 13 de novembro, na sessão de abertura da cimeira, mas esta não será a primeira vez que enfrenta a audiência no Altice Arena. Na edição de 2019, a atual CEO do evento tecnológico marcou presença como oradora em representação da Wikimedia Foundation, a entidade que detém a plataforma Wikipédia, empresa de que foi CEO durante cinco anos. No texto em que se apresentou como CEO do evento fundado por Paddy Cosgrave, Maher recorda como se sentiu "impressionada" pela dimensão do encontro tecnológico onde se debatiam temas tão díspares como "o potencial da captura de carbono" ou "esquemas de regulação de privacidade de dados".

Na altura, uma das frases que ficaram da sua intervenção como oradora dizia respeito à importância da colaboração para resolver problemas mundiais. "A confiança é um requisito para a cooperação internacional de que dependemos no século passado e para a cooperação de que vamos precisar para enfrentar os desafios do futuro", afiançava.

Os "desafios futuros" são agora parte do presente para Katherine Maher, que regressa à cimeira com a tarefa de recuperar a confiança das empresas parceiras da Web Summit e garantir que as origens do evento, criado há 14 anos na Irlanda, voltam a ser a cara da iniciativa. "Desde a sua criação há 14 anos, a Web Summit tem sido sobre reunir pessoas: inovadores, investidores, decisores políticos, pensadores, líderes empresariais e todos aqueles que moldarão o mundo de amanhã. Todos os anos, é a sua participação que cumpre essa promessa", escreveu na carta de apresentação publicada nesta semana no site oficial.

Voltará agora, quatro anos mais tarde, a pisar o mesmo palco lisboeta para dar as boas-vindas aos milhares de empreendedores, investidores e curiosos que anseiam por uma nova edição da Web Summit.

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