Desvio com PPP é de mil milhões de euros por ano até 2015

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Os contribuintes enfrentam um risco de derrapagem muito

significativo nas contas públicas por causa dos encargos com as

Parcerias Público-Privadas (PPP), as obras públicas (estradas,

hospitais, linhas de comboio) feitas em articulação com empresas

privadas. O risco é "preocupante". Caso se concretize, os

contribuintes podem contar com mais sacrifícios, seja em novos

aumentos de impostos, seja através de novos cortes na despesa.

Segundo o Ministério das Finanças, os encargos brutos futuros já

detectados representam 14% do Produto Interno Bruto (24 mil milhões

de euros a preços de hoje) até 2050. Mas trata-se de valores

provisórios.

Pior. O risco de derrapagem até já teve consequências

concretas, como provam as correcções já feitas aos défices de

2009 e 2010, lembram as Finanças.

A Comissão Europeia também está preocupada com esta

bomba-relógio. Na primeira avaliação ao programa de ajustamento

português, divulgado esta semana, Bruxelas avisa que "as PPP

para as estradas, a Saúde e as ferrovias exigem que o Governo faça

pagamentos anuais de cerca de mil milhões de euros [até 2015],

valor que subirá para dois mil milhões em 2016".

O pior é que os compromissos, que fazem parte de um pacote de

encargos muito mais vasto, prometem muitas dores de cabeça este ano

e até ao final da legislatura, justamente o período em que é

crucial não haver grandes surpresas para que as autoridades consigam

cumprir as metas exigidas pela troika. Mas existe um risco sério de

estes valores derraparem.

No final de Junho, Bruxelas centrou a sua análise na questão das

estradas (77% do total contratado em PPP) e avisou que "existe

uma questão em aberto": "Saber se estas projecções

reflectem correctamente os custos de capital necessários para manter

as infra-estruturas operacionais depois de um período longo, de modo

a mantê-las atractivas para os utilizadores que estejam dispostos a

pagar valores adequados de portagens." Isto é, o custo de

utilização das infra-estruturas pode muito bem tornar-se inviável

para quem as utiliza. E aumenta o risco de todos os contribuintes

terem de pagar a factura.

Os encargos assumidos com essas obras (mesmo as já interrompidas,

a quase totalidade) "aumentam a pressão sobre as contas

públicas no médio prazo uma vez que o desembolso anual do Estado

atinge o seu máximo em 2016", frisam as Finanças no Documento

de Estratégia Orçamental.

Apesar de as últimas semanas terem sido marcadas pelo descalabro

nas contas da Madeira, o problema, como já se percebeu, é nacional

e duradouro. Segundo a avaliação da Comissão, os custos com

empresas públicas e PPP que podem cair no perímetro dos governos

central, locais e regionais "permanecem uma preocupação

crucial para o sucesso do programa [de ajustamento]".

A troika já está a analisar esta "rede complexa de

empresas" e de negócios que estão com um pé dentro e um pé

fora do sector público.

Fonte oficial das Finanças, diz que "neste momento, não é

possível dar mais elementos". "O relatório sobre as PPP

seguiu, no final do mês, para a troika, e será divulgado quando

estas três entidades derem o seu aval", explica.

Diário de Notícias
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