"Os últimos meses foram uma loucura, mas conseguimos!". É isto que entidades dedicadas à formação, gestores de projeto, formadores, organizações e colaboradores podem hoje afirmar relativamente ao tremendo impulso que o último ano deu ao Digital Learning e ao que, em conjunto e em tempo recorde, fomos capazes de implementar ao nível da formação à distância e em contexto 100% online.
Em pouco tempo, muita coisa mudou, algumas talvez para sempre: conceitos pedagógicos, instrumentos de trabalho, formatos dos percursos de aprendizagem, práticas de formação e dinamização dos programas. De toda esta aprendizagem, destaco 3 lições que vamos certamente guardar de 2020 para continuar a aplicar em 2021:
Lição 1 - Mais do que as ferramentas, importam os formatos de aprendizagem
Microsoft Teams, Adobe Connect, Zoom, Webex... alguns mal conheciam estas ferramentas antes da pandemia. Agora, fazem parte da nossa rotina profissional diária. No entanto, 2020 mostrou-nos que nenhuma ferramenta, por mais sofisticada e intuitiva que seja, representa, por si só, uma solução para todos os problemas e situações. A aprendizagem efetiva deve continuar a combinar um conjunto híbrido de recursos, ferramentas e momentos síncronos e assíncronos, que permita aos formandos aprenderem, não só através da teoria (com exposição de conhecimentos, leitura, módulos e-Learning, vídeos, estudos de caso...), como pela experimentação e prática (com simulação de casos e implementação em contexto real de trabalho), mas também através da partilha (aprendizagem social e interação com outros participantes, colegas, pares...).
Lição 2 - Sim, temos saudades da aprendizagem presencial
Logo depois do primeiro desconfinamento tivemos a oportunidade de liderar algumas sessões formativas presenciais que nos permitiram voltar a contactar com os participantes em carne e osso! Mesmo "mascarados", foi uma alegria enorme voltar a rir, conversar, aprender e socializar uns com os outros. 2020 renovou efetivamente a nossa consciência sobre as enormes potencialidades do digital ao nível de dinâmicas, cenários virtuais, recursos e formatos, engagement, modelos de colaboração e trabalho remoto... Mas reforçou também a importância dos momentos presenciais em sala. Da energia corporal às emoções, passando pelas interações não-verbais, são muitos os elementos estritamente humanos que nenhuma tecnologia consegue (para já) substituir.
Lição 3 - O acompanhamento é a palavra-chave
A tutoria, as sessões de coaching e a dinamização da comunidade de formandos (sejam elas à distância ou presenciais) são aspetos fundamentais e que impactam diretamente na eficácia dos percursos de aprendizagem. Isto deverá encorajar as organizações dedicadas à formação e os seus clientes e parceiros a repensarem os modelos de formação nos quais investem. Tal deve levá-los a ter em conta tempos e momentos incluídos nos percursos de aprendizagem que não se encontram nas fases de formação síncrona e de grupo, mas que são igualmente essenciais para fazer a estratégia pedagógica por detrás de cada percurso de formação e/ou requalificação acontecer.
Aprendidas estas 3 lições, é agora tempo de as colocarmos em prática, lembrando que apostar no Digital Learning é apostar no poder transformador e estratégico da formação - não só para enfrentarmos os desafios do contexto conturbado que enfrentamos, como para catalisarmos a performance das pessoas e a competitividade nas organizações, hoje e no futuro.
Catarina Correia, Head of Marketing & Communication na CEGOC