E agora?

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Para além de todos os desafios que o país enfrenta, teremos desafios acrescidos e que poderão ter um forte impacto na vida das pessoas e no desempenho da nossa economia.

O novo cenário político não é positivo para a atividade económica. A acrescer à instabilidade internacional - fruto das duas guerras que o mundo vive - junta-se agora uma instabilidade política a nível nacional.

A atividade económica e os desafios de competitividade das nossas empresas não podem nem devem ser afetados pelas decisões políticas, sendo certo que será muito difícil evitar um contágio entre a política e a economia.

Só a título de exemplo, no dia da demissão do primeiro-ministro, a Bolsa de Lisboa perdeu 1,7 mil milhões de euros. Neste mesmo dia, recebi telefonemas de empresários portugueses que partilharam comigo as suas ansiedades perante o futuro.

É normal que os mercados reajam e se sintam desconfortáveis com cenários imprevisíveis e que contribuem para o aumento da volatilidade e incerteza do que aí virá.

As empresas precisam de estabilidade e de previsibilidade e os mercados de confiança. O país precisa de serenidade e que se vire o foco para o crescimento da economia, na criação de riqueza e nos impactos na vida das pessoas.

Foram criadas as condições para o Orçamento do Estado para 2024 ser viabilizado. O Presidente da República anunciou a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições para 10 de março. Ao adiar a publicação dos decretos para depois de 29 de novembro, Marcelo Rebelo de Sousa usou um formalismo que permitiu o país ter um Orçamento do Estado aprovado.

Existem, contudo, questões muito importantes para a vida das pessoas e das empresas que podem ficar comprometidas sem um Governo em "plenas" funções. A execução do PRR e o arranque do Portugal 2030 poderão ser um exemplo disso.

Se num cenário com estabilidade política já era difícil, neste contexto de incerteza as dificuldades serão certamente maiores.

O país, as empresas e as pessoas necessitam de uma célere e boa execução destes recursos financeiros, com uma dimensão que Portugal nunca teve, cruciais não só para o presente, mas sobretudo para investimentos estruturais futuros.

Já sabemos que em contextos desafiantes e de imprevisibilidade, os portugueses e as empresas encontram oportunidades - como demonstra um passado ainda muito recente - e superam os desafios.

Acredito que, mais uma vez, estaremos à altura de dar uma resposta positiva que não comprometa o futuro do nosso país.

Luís Miguel Ribeiro, presidente do Conselho de Administração da AEP - Associação Empresarial de Portugal

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