Economia portuguesa: e se Prigozhin tivesse sido consequente?

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O acontecimento provocado por Prigozhin no passado fim de semana coloca em evidência a elevada vulnerabilidade em que Portugal e os portugueses se encontram.

Como é que os mercados e a economia mundial reagiriam a um efetivo golpe de Estado na Rússia? A agitação seria máxima, seguramente. Ao conflito militar externo em curso juntar-se-ia um acontecimento potencialmente disruptivo. E tudo isto a envolver o terceiro maior produtor de petróleo do mundo e segundo no ranking do gás.

Ao dia de hoje, para se ter uma ideia, prevê-se que a taxa de juro diretora do Banco Central Europeu chegue aos 4,25% ainda este ano. Será o valor mais alto em 23 anos e corresponderá à maior taxa de sempre desde que o euro é a moeda circulante. Com um quadro destes, os modestos orçamentos familiares em Portugal são já obrigados a suportar largas centenas de euros a mais nas prestações mensais dos créditos à habitação. Como está, a conjuntura já é insuportável para a realidade nacional. Disso, não restam dúvidas.

Então, o que mais poderiam esperar as famílias portuguesas caso esta pseudotentativa de golpe de Estado na Rússia tivesse sido consequente? Uma tragédia, provavelmente.

Com o diferendo Putin-Prigozhin em curso na Rússia, a incerteza máxima voltaria a dominar os mercados. Desde logo, a perturbação no abastecimento energético global. A interrupção dos fluxos de gás e de petróleo seria uma forte possibilidade. O fantasma da escassez de recursos energéticos fósseis voltaria para assombrar a economia mundial. Registar-se-ia, inevitavelmente, um aumento significativo dos preços daquelas matérias-primas. O efeito dominó seria incontornável: indústria, consumidores e economias em geral.

Depois, a instabilidade dos mercados. Incerteza pronunciada e investidores receosos resultaria em volatilidade financeira acentuada e em mais inflação. As cadeias de fornecimento mundiais seriam atingidas, o que comprometeria a atual conjuntura global em matéria de importações e exportações.

Enquanto petróleo e gás forem sendo necessários, o mundo continuará a contar com alguns protagonistas altamente imprevisíveis e cujas decisões podem ser potencialmente catastróficas.

Portugal e os portugueses permanecem no limbo. Prigozhin só veio reforçar esse sinal.

João Rodrigues dos Santos, professor auxiliar, IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia

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