

Cerca de 20 mil marinheiros e 110 mil milhões de euros em carga esperam para poder transitar pelo estreito de Ormuz, encerrado durante a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão, afirmou esta quarta-feira, 24 de junho, a seguradora alemã Allianz.
Num relatório da empresa, admite-se que as tensões no Médio Oriente podem aumentar os seguros e consequentemente os custos do comércio marítimo internacional.
Ao longo do conflito, a cobertura do seguro marítimo esteve disponível, mas com prémios mais elevados para a carga, segundo o relatório de Segurança e Transporte Marítimo de 2026.
O presidente do Conselho de Administração da Allianz Commercial, Thomas Lillelund, disse que o conflito no Médio Oriente e o encerramento do Estreito de Ormuz são apenas os casos mais recentes de uma série de incidentes graves que afectaram os armadores e os operadores de carga.
"A resiliência, a geopolítica e a eficiência devem ser equilibradas num mundo cada vez mais imprevisível, onde o custo da incerteza está a redefinir o sector marítimo", frisou.
Cerca de 1.150 navios de carga (com arqueação bruta superior a 100 GT – unidade de medida que reflete o volume interno total da embarcação), e cerca de 20 mil marinheiros aguardam no Golfo Pérsico o retomar das operações após os recentes avanços diplomáticos, segundo os dados da Allianz.
A principal preocupação dos armadores têm sido os risco para as tripulações e para as embarcações que transitam por uma zona de conflito, e não apenas as questões de seguro.
Desta forma, de acordo com a empresa alemã, vão ser necessárias fortes garantias de passagem segura mesmo que o acordo Estados Unidos e o Irão se mantenha, o Estreito de Ormuz seja reaberto e a navegação regresse aos níveis da passagem de até 140 navios por dia.
Os contactos diplomáticos entre os Estados Unidos e o Irão foram estabelecidos recentemente na Suíça.
A diplomacia de Islamabad disse esta quarta-feira que as negociações técnicas entre Washington e Teerão, mediadas pelo Paquistão, devem ser retomadas na próxima semana.