“92% do que é produzido nos setores aeroespacial e defesa é exportado”

O AED Cluster integra atualmente cerca de 180 entidades entre empresas, universidades e centros de investigação de aeronáutica, espaço e defesa.
“92% do que é produzido nos setores aeroespacial e defesa é exportado”
JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
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Os setores aeroespacial e defesa em Portugal exportam 92% da produção e deverão crescer acima de 10%, atingindo novos máximos em volume de negócios e emprego, segundo o presidente do AED Cluster.

Em entrevista à Lusa, antes do acordo de cessar fogo entre os EUA, Israel e o Irão, José Neves detalhou que os setores da aeronáutica, espaço e defesa (AED) têm vindo a consolidar o seu peso na economia, com forte orientação externa, sublinhando que “92% do que é produzido é exportado”.

Questionado sobre os principais destinos dessas exportações, apontou que é, "garantidamente, o Brasil, por causa da produção da Embraer em Portugal e da relação muito próxima” ao país. Depois vêm Espanha, França e Alemanha, “acima de tudo porque temos empresas com base em solo português, mas cuja casa-mãe está em França”, como é o caso da Airbus.

Segundo o responsável, os dados mais recentes, relativos a 2024, apontam para um volume de negócios de 2,1 mil milhões de euros e cerca de 20 mil postos de trabalho, antecipando-se um crescimento de pelo menos 10% em 2025.

O cluster integra atualmente cerca de 180 entidades entre empresas, universidades e centros de investigação de aeronáutica, espaço e defesa, refletindo a expansão de um setor que tem vindo a ganhar dimensão na última década.

O responsável destaca que Portugal tem vindo a reforçar capacidades industriais em várias áreas, desde a aeronáutica ao espaço, incluindo o desenvolvimento de satélites, drones e sistemas de comunicações.

“Estamos hoje a fabricar satélites e lançadores de satélites, algo inimaginável, se calhar, há 10 anos”, afirmou.

A par do crescimento industrial, o setor mantém uma forte integração nas cadeias de valor internacionais, com componentes produzidos em Portugal a integrar aeronaves de fabricantes globais.

“Todas as aeronaves da Embraer, da Airbus e da Boeing levam a bordo componentes ou peças fabricadas em Portugal”, disse.

José Neves sublinha ainda a importância da articulação entre indústria, Estado e Forças Armadas para sustentar o crescimento do setor.

“É o triângulo entre a indústria, as Forças Armadas e o Governo”, afirmou, defendendo um maior alinhamento entre necessidades operacionais e desenvolvimento industrial.

Segundo o responsável, este trabalho conjunto é essencial para garantir que Portugal desenvolve capacidades próprias e aumenta a incorporação nacional nos grandes projetos de defesa.

Neste contexto, defende que a área da defesa e aeroespacial pode vir a assumir um peso relevante nas exportações portuguesas, à semelhança de outros setores industriais.

As exportações na área da defesa representam atualmente menos de 1% do total, um valor que o responsável admite que é “pouco”.

“Estamos a falar de sistemas de drones e de comunicações, mas no futuro vamos ter satélites, lançadores e aeronaves. Portanto, vamos ter uma panóplia muito maior”, apontou.

“Temos que ambicionar que as exportações na área da defesa possam ser 2 ou 3% no futuro”, afirmou, apontando um horizonte de cerca de 10 anos.

José Neves estabelece uma comparação com o impacto da indústria automóvel na economia nacional, referindo que a Autoeuropa “representa 3% das exportações nacionais” e que o setor da defesa poderá seguir uma trajetória semelhante.

“Neste momento, dos automóveis produzidos na Europa, 95% têm algo produzido em Portugal. Portanto, nós queremos também ter essa ambição na área da defesa”, apontou.

Para o responsável, esse crescimento dependerá também da capacidade de atrair investimento, desenvolver produtos com maior valor acrescentado e reforçar os recursos humanos qualificados.

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