AIE avisa que normalidade levará muito tempo mesmo que estreito de Ormuz abra já

Quanto ao tempo necessário para restaurar os níveis de atividade comercial nas instalações de energia daquela região, a agência reitera a previsão, acrescentando que seria um processo gradual.
Estreito de Ormuz
Estreito de OrmuzFOTO: EPA/DIVYAKANT SOLANKI
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O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), o turco Fatih Birol, alertou esta terça-feira, 21, que levará "muito tempo" para retomar a normalidade, mesmo que o estreito de Ormuz fosse reaberto imediatamente, com riscos de inflação e desaceleração económica.

"Mesmo que o estreito de Ormuz fosse reaberto amanhã, levaria muito tempo até que voltássemos ao normal, porque há instalações de energia, petróleo e outras que foram gravemente danificadas", no golfo Pérsico, disse, em entrevista à rádio France Inter.

Questionado sobre o período de dois anos estimado como o tempo necessário para restaurar os níveis de atividade comercial pré-guerra nas instalações de energia daquela região, Birol reiterou a previsão, mas esclareceu que seria um processo gradual.

O líder da AIE – organização criada em 1974, em resposta à primeira crise do petróleo e que reúne a maioria dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) – insistiu que a crise atual é "a maior da história" em termos de energia porque afeta não só o fornecimento de petróleo, mas também de gás, fertilizantes e outros produtos petroquímicos.

"Isto vai desacelerar o crescimento económico e, quanto mais tempo durar, mais difícil será", continuou, antes de frisar que a crise vai afetar particularmente os países em desenvolvimento, que, em muitos casos, enfrentarão "uma espiral de dívidas" a pesar sobre as gerações futuras.

No relatório mensal sobre o mercado do petróleo, publicado em 14 de abril, a AIE alertou que a produção global de petróleo baixou 10,1 milhões de barris por dia (mb/d) em março devido à guerra no Médio Oriente, a maior queda da história.

O bloqueio do estreito de Ormuz resultou em perdas de 13 mb/d nas exportações de petróleo do golfo Pérsico, parcialmente compensadas pela utilização de reservas, que são cada vez menores, uma situação que levou a instituição a rever em baixa a previsão de procura de petróleo.

Birol afirmou que, "por enquanto, a Rússia está sair-se bem da crise", pois as suas receitas com petróleo dobraram em março, graças à alta dos preços e, em menor escala, ao aumento das suas exportações.

O mesmo responsável estimou que, "a longo prazo, as consequências desta crise vão levar a uma reconfiguração do mapa energético", como já aconteceu com o choque do petróleo de 1973, quando, por exemplo, muitos países optaram por construir centrais nucleares para substituir os hidrocarbonetos na produção de eletricidade.

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