O grupo Air France-KLM disse esta sexta-feira (4 de setembro)) que aguarda com “expectativa” a nova ronda de negociações anunciada pelo Governo, para a compra de 44,9% da TAP, na qual terá como concorrente a alemã Lufthansa.
“A Air France-KLM toma nota da decisão do Governo português de avançar para uma ronda adicional no processo de privatização da TAP”, disse, numa nota enviada à Lusa.
“A participação contínua do Grupo nesta fase reflete o seu interesse inalterado na TAP”, salientou, apontando que aguarda “com expectativa a próxima fase do processo”.
De acordo com a Air France-KLM, a sua proposta “inclui um plano estratégico que abrange todas as áreas do negócio, incluindo o transporte de passageiros, carga, programas de fidelização e Manutenção, Reparação e Revisão (MRO)”.
Apontou ainda que a Delta Air Lines, que é parceira de joint-venture do Grupo, “apoia e está alinhada com esta proposta”.
O Governo vai iniciar negociações finais com os dois candidatos que entregaram ofertas vinculativas para a compra de 44,9% da TAP, Air France-KLM e Lufthansa, segundo anunciou hoje o ministro da Presidência, Leitão Amaro.
O ministro Leitão Amaro adiantou que as ofertas, sendo diferentes, têm uma "avaliação global muito próxima", o que justifica "o esforço de negociação" com ambos os concorrentes, com o objetivo de obter "propostas melhoradas" para que o Governo possa escolher "um único concorrente para a negociação finalíssima".
Em 1 de setembro, a Parpública entregou para análise do Governo o relatório sobre as duas ofertas vinculativas para a privatização da TAP, cujo processo prevê a venda de até 49,9% do capital da TAP, dos quais 5% estão reservados aos trabalhadores, podendo a parcela não subscrita ser adquirida pelo investidor selecionado, ao abrigo de um direito de preferência.
Leitão Amaro esclareceu que as propostas são "globalmente tão próximas que o melhor para o interesse nacional é ter uma fase adicional, final, da negociação com ambos" os candidatos.
Esse período de negociação final com os dois concorrentes será de "algumas semanas".
Sobre os resultados apresentados pela TAP no primeiro semestre, com um prejuízo de 99,2 milhões de euros, justificado pelo preço dos combustíveis, o ministro da Presidência optou por destacar "as vendas historicamente elevadas, das mais elevadas que há memória" registadas pela transportadora no mesmo período.
"As avaliações naturalmente têm em conta sempre este tipo de fatores circunstanciais e as trajetórias estruturais, designadamente de expansão de vendas e de negócio", acrescentou.
Leitão Amaro admitiu que o preço oferecido pela TAP "é naturalmente um critério importante, mas não é o único", uma vez que o caderno de encargos da privatização determina uma avaliação global das ofertas, em termos de rotas e do projeto industrial, entre outros.