

A economia portuguesa deverá crescer 2,2% este ano, mas abrandar para 1,6% em 2027, mantendo-se ainda assim acima da média da Zona Euro, que deverá acelerar de 1% para 1,3%, segundo as previsões da Allianz Trade divulgadas esta quarta-feira.
Segundo o mais recente 'Global Economic Outlook' da Allianz Trade, o crescimento da economia mundial deverá passar de 2,6% em 2026 para 2,8% em 2027, enquanto a economia portuguesa seguirá uma trajetória inversa à da Zona Euro, com uma desaceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Em Portugal, a inflação deverá acelerar de 2,3% em 2025 para 2,9% este ano, antes de recuar para 2,2% em 2027.
As empresas portuguesas deverão continuar a enfrentar um contexto exigente, marcado por custos de financiamento elevados e riscos energéticos e comerciais.
Ainda assim, as insolvências deverão manter-se relativamente estáveis, em cerca de 2.300 processos em 2026, antes de subirem ligeiramente para perto de 2.400 no próximo ano.
Mundialmente, a Allianz prevê que o crescimento económico abrande dos 3% registados em 2025 para 2,6% este ano, recuperando para 2,8% em 2027 e voltando aos 2,6% em 2028.
A Zona Euro deverá crescer 1% em 2026 e 1,3% em 2027, enquanto a Ásia continuará a ser o principal motor da economia mundial, com um crescimento próximo de 4,4%.
O cenário traçado pressupõe uma redução progressiva dos principais focos de tensão sobre a economia mundial, nomeadamente no mercado energético, nos mercados obrigacionistas e no investimento relacionado com Inteligência Artificial (IA).
No setor energético, a previsão aponta para uma normalização gradual dos fluxos de exportação do Golfo, permitindo que o preço médio do petróleo Brent recue dos 87 dólares por barril previstos para o último trimestre de 2026 para 76 dólares em 2027.
Na Europa, os preços do gás deverão permanecer elevados até ao final deste ano, com o TTF previsto em cerca de 65 euros por megawatt-hora no quarto trimestre, antes de recuar para aproximadamente 36 euros em 2027.
A persistência dos preços elevados da energia deverá, contudo, manter as pressões inflacionistas nos próximos trimestres, com a inflação a permanecer entre um e dois pontos percentuais acima dos objetivos dos bancos centrais na Europa e nos Estados Unidos até à segunda metade de 2027.
Neste contexto, a Allianz Trade antecipa duas subidas de 25 pontos base das taxas de juro do Banco Central Europeu até ao final de 2026, levando a taxa de depósito para 3%, seguindo-se uma pausa prolongada em 2027.
A Allianz Trade prevê que o comércio global de bens cresça 4% em volume em 2026, impulsionado sobretudo pela procura associada à IA, mas antecipa uma desaceleração para 2,9% em 2027 e 2028.
A dinâmica associada à IA deverá, contudo, acentuar as diferenças entre economias e setores, com os principais beneficiários concentrados nas cadeias de valor da tecnologia, sobretudo na região Ásia-Pacífico.
Em sentido contrário, setores como o automóvel, construção, maquinaria, têxteis e equipamentos de transporte enfrentam maior exposição às tarifas, aos custos energéticos e a condições de financiamento mais restritivas.
Ainda assim, as insolvências empresariais constituem outro foco de pressão.
A nível mundial, estão 6% acima do período homólogo e acumulam 16 trimestres consecutivos de crescimento homólogo.
A Allianz Trade prevê que as insolvências empresariais aumentem pelo menos 4% em 2026, pelo quinto ano consecutivo, antes de uma possível estabilização em 2027.
Entre as empresas de maior dimensão, foram registadas 247 insolvências no primeiro semestre, em empresas com faturação superior a 50 milhões de euros, um aumento homólogo de 13%.
A Europa Ocidental concentrou quase dois terços dos casos.
A Allianz Trade alerta ainda que um prolongamento do choque energético no Médio Oriente poderá manter o Brent próximo dos 100 dólares por barril e transformar o atual cenário num choque estagflacionista.