Alojamento local diz que saída da Ryanair dos Açores gera quebra de 20% no verão

Segundo o presidente da Associação do Alojamento Local dos Açores, e ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, não se está a sentir que as reservas de verão “vão salvar o ano”.
Alojamento local diz que saída da Ryanair dos Açores gera quebra de 20% no verão
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A ALA - Associação do Alojamento Local dos Açores indicou esta quarta-feira, 29 de abril, que o número de reservas para o verão “é baixo”, admitindo uma quebra de cerca de 20%, um mês após o fim da operação da Ryanair na região.

“O fluxo [de reservas] está com uma diminuição à volta dos 20%”, disse à Lusa o presidente da ALA, João Pinheiro, notando que após a saída da companhia aérea de baixo custo Ryanair dos Açores “o número de reservas é baixo”.

Segundo João Pinheiro, e ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, não se está a sentir que as reservas de verão “vão salvar o ano”.

Por isso, antecipou, vão existir “muitas dificuldades em fechar o calendário e as empresas vão ter problemas nas suas contas”.

Ainda de acordo com o presidente da ALA, a saída da ‘low cost’ do mercado aéreo da região “disparou completamente os preços" para os Açores "através das companhias de bandeira [TAP e SATA]”.

Além disso, acrescentou, a retirada do teto máximo do Subsídio de Mobilidade "está a influenciar tudo o que é preço de viagem para os Açores”, fazendo que passe a ser “um destino proibitivo”.

Criado em 2015, o subsídio social de mobilidade prevê a atribuição de um reembolso a residentes, residentes equiparados e estudantes das regiões autónomas da Madeira e dos Açores, que resulta da diferença entre o custo elegível da passagem, paga na íntegra pelo passageiro no ato de compra, e a tarifa máxima suportada pelo residente, definida por portaria.

Em setembro de 2024, o Governo da República, liderado pelo social-democrata Luís Montenegro, definiu um limite máximo de 600 euros por passagem no valor elegível para acesso ao subsídio social de mobilidade para os passageiros dos Açores, à semelhança do que já acontecia na Madeira, em que existia um limite de 400 euros (500 nas viagens a partir da ilha do Porto Santo).

Este teto foi agora eliminado, ao ser definido que a atribuição do subsídio “implica a compra e a utilização efetiva do bilhete e corresponde ao pagamento de um valor variável sem um limite máximo ao custo elegível do bilhete”.

A Ryanair anunciou ainda em 2025 o fim da operação para os Açores a partir do final de março, devido às taxas aeroportuárias e à tributação ambiental europeia.

O Governo Regional dos Açores ainda tentou, sem sucesso, que a companhia mantivesse a operação na região, iniciada em 2015.

Na semana passada, a Ryanair anunciou que vai encerrar a base na capital da Alemanha, Berlim, no final de outubro, reduzindo em 50% o número de voos que opera na cidade durante o inverno, devido ao aumento das taxas “já elevadas” no aeroporto.

A Ryanair também já eliminou mais 1,2 milhões de lugares nos aeroportos regionais espanhóis este verão

Em sentido contrário, a Ryanair pretende aumentar a oferta noutras economias turísticas, como Marrocos (11%) e Itália (9%), “dado que esses países são significativamente mais competitivos”, segundo divulgou a empresa.

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