

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, convocou os líderes da UE para uma cimeira a realizar entre 18 e 19 de junho centrada nos “elementos essenciais” do novo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2028–2034 e no complexo contexto geopolítico, incluindo a Ucrânia e a crise no Médio Oriente.
Na carta‑convite enviada esta quinta-feira, 11, Costa sublinha que a discussão deve focar‑se em medidas que tornem possível um acordo até ao final de 2026, quando se espera a proposta de negociação da presidência cipriota.
Entre os pontos a desbloquear, destaque para novos recursos próprios — vistos como cruciais para alinhar ambições políticas com meios financeiros.
Em julho de 2025, a Comissão propôs um QFP de dois mil milhões de euros para 2028–2034, incluindo maior participação das contribuições nacionais e três novos impostos.
O Parlamento Europeu defende um envelope ainda mais ambicioso, com contribuições equivalentes a 1,27% do rendimento nacional bruto (RNB), ao contrário da proposta da Comissão que se fica por 1,15%, o que coloca o total parlamentar ligeiramente acima desse valor — uma diferença de cerca de 10% face à proposta executiva, dependendo da inclusão dos encargos com o reembolso da dívida dos planos de recuperação (0,11% do RNB).
A proposta preliminar da presidência cipriota, que será agora apresentada, servirá de base para as negociações do semestre seguinte, sob liderança da Irlanda, e para o trabalho técnico entre colegisladores com vista a um acordo até ao fim do ano.
Além do QFP, a cimeira abordará desequilíbrios macroeconómicos globais e implicações para a competitividade europeia. No capítulo de segurança, António Costa quer debater o agravamento do comportamento russo perante Estados‑membros — citando incursões de drones em países como Roménia e Lituânia — e a evolução do conflito no Médio Oriente, com impacto nos preços da energia.
Costa propõe igualmente tratar da situação humanitária em Gaza e na Cisjordânia e dos acontecimentos no Líbano, incluindo o papel da UE no apoio a um cessar‑fogo e ao Estado libanês.