

A falta de petróleo disponível no mercado pressiona os preços há vários meses e o cenário não deverá mudar para melhor até ao segundo semestre do próximo ano.
O alerta é da Agência Internacional de Energia (AIE), que divulgou nesta quarta-feira a edição de outubro do relatório de análise ao mercado do petróleo (publicado mensalmente). A guerra no Médio Oriente e as respetivas consequências continuam em foco, sendo que o cenário está longe de ser o melhor para os consumidores.
Aquele organismo vê "cortes de inventário muito superiores ao normal" no terceiro trimestre, que levam a que os mercados não disponham da cobertura necessária, quando se aproxima o pico da procura, que se regista no inverno.
Assim sendo, "mesmo uma rápida recuperação na produção das refinarias até final do ano, a oferta de gasóleo não vai corresponder à procura no quarto trimestre de 2026, o que sugere que a reposição das perdas, fora as flutuações sazonais habituais, é improvável antes [do segundo trimestre de 2027]", avança a AIE.
Em setembro, as exportações de gasóleo caíram 700 mil barris por dia, em termos homólogos. A perda de 1,3 milhões de barris da produção da Rússia e do Médio Oriente "foi contrariada apenas parcialmente pela maior oferta de outros produtores [de petróleo]", esclarece a agência.
A falta de oferta resulta de vários fatores, desde a redução do transporte de petróleo no estreito de Ormuz às maiores dificuldades para refinar o produto. Ao mesmo tempo, é garantia de manutenção dos preços altos por um período de tempo mais duradouro, resultando em maior inflação, com impacto nas famílias e empresas.
Os ataques a instalações da petrolífera Saudi Aramco estão entre os relatos mais recentes que mantêm a pressão nos preços.