Banco Mundial alerta para défice de 800 milhões de empregos na próxima década

O investimento privado nas economias mais pobres mantém-se estagnado nos 2,7 mil milhões de euros anuais, contribuindo decisivamente para esse cenário, segundo Ajay Banga, presidente da instituição.
Ajay Banga, presidente do Banco Mundial
Ajay Banga, presidente do Banco MundialRUNGROJ YONGRIT
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O mercado de trabalho global enfrenta um desequilíbrio sem precedentes para a próxima década, com um défice estimado de 800 milhões de empregos face à vaga de jovens que se prepara para iniciar a vida ativa. O alerta foi lançado esta sexta-feira pelo presidente do Banco Mundial (BM), Ajay Banga, durante as reuniões anuais da instituição e do Fundo Monetário Internacional (FMI), a decorrer em Banguecoque.

De acordo com o líder da instituição financeira, "os próximos 10 a 15 anos serão marcados pela entrada de 1.200 milhões de jovens no mercado laboral". Contudo, as projeções atuais revelam que a economia global terá capacidade para absorver apenas "400 milhões de postos de trabalho", gerando uma crise de desemprego jovem à escala mundial.

Face a este cenário, o responsável máximo do Banco Mundial apontou como prioridades imediatas a geração de emprego "em larga escala" e a maximização da eficiência no uso de "recursos escassos". A urgência destas medidas estruturais dominou o arranque dos debates na capital tailandesa, onde os principais decisores económicos globais se encontram reunidos esta semana.

Apesar do crescimento do investimento privado nas economias de rendimento médio e elevado, os fluxos financeiros direcionados aos países mais pobres permanecem estagnados na fasquia anual dos três mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros). O aviso foi deixado por Ajay Banga, que apontou este défice estrutural como o motivo central para a urgência de redirecionar os apoios económicos para as pequenas e médias empresas, identificadas como o principal motor de emprego nessas geografias.

Com o objetivo de mobilizar capital à escala global, o líder da instituição internacional revelou ainda uma parceria estratégica inédita entre seis bancos multilaterais. Esta aliança visa padronizar contratos e agregar projetos de infraestruturas, permitindo a posterior venda de pacotes de empréstimos já consolidados a grandes investidores institucionais, como fundos de pensões e seguradoras.

Através deste mecanismo de titularização e escoamento de carteiras, as entidades bancárias internacionais preveem a libertação e rotação de fundos públicos. O capital recuperado será reinvestido no financiamento de novas obras e projetos de desenvolvimento nas regiões mais necessitadas.

No horizonte das metas globais fixadas para 2030, a estratégia delineada por Ajay Banga foca-se na eletrificação do continente africano, com o objetivo de assegurar energia a 300 milhões de pessoas. O plano do Banco Mundial prevê ainda a extensão de cuidados de saúde de qualidade a mais 1,5 mil milhões de cidadãos, a par da massificação de soluções tecnológicas simples destinadas a capacitar pequenos produtores agrícolas, profissionais de saúde e docentes locais nas suas respetivas comunidades.

O líder da instituição financeira internacional fez questão de marcar uma rutura com as abordagens de desenvolvimento do passado. "Não se trata de replicar a estratégia de progresso utilizada pelas gerações anteriores", mas sim de desenhar um ecossistema que responda às reais ambições do futuro, sublinhou o gestor, sustentando que os novos modelos económicos devem progredir e transformar-se em estrita sintonia com a velocidade de cada nação.

O balanço do mandato de Ajay Banga, iniciado em 2023, revela um forte avanço na mobilização de fundos, com a captação de investimento privado para iniciativas de desenvolvimento a registar um crescimento superior a 200%. Os dados indicam que o volume financeiro atraído disparou de aproximadamente 35 mil milhões de dólares (cerca de 31,2 mil milhões de euros) obtidos em 2022 para 112 mil milhões de dólares (perto de 100 mil milhões de euros) no fecho do último ano.

Em paralelo, as mais recentes projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), detalhadas no seu relatório "Perspetivas da Economia Mundial", reviram em alta a estimativa de crescimento económico global para 3,1%. Contudo, o organismo internacional acompanhou esta nota de otimismo com um aviso explícito sobre o agravamento das assimetrias financeiras globais, uma tendência alimentada pela disparidade e pelo impacto desigual dos investimentos em tecnologias de inteligência artificial entre os diferentes blocos económicos.

Ajay Banga, presidente do Banco Mundial
Banco Mundial revê em baixa previsões para 2025 e alerta para década de fraco crescimento
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