Banco Mundial prevê desaceleração do crescimento económico do Brasil em 2026

Abrandamento de 0,7% face ao ano passado será o menor dos últimos cinco anos, revela um relatório do Banco Mundial (BM)
Banco Mundial prevê desaceleração do crescimento económico do Brasil em 2026
Foto: Rafaela Biazi / Unsplash
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O Banco Mundial (BM) prevê um crescimento económico do Brasil de 1,6% em 2026, uma desaceleração face aos 2,3% no ano anterior e a menor dos últimos cinco anos.

As informações constam no relatório “Panorama Económico da América Latina e o Caribe - Revisitando a política industrial: opções estratégicas para a atualidade” divulgado esta quinta-feira, 9.

O BM prevê ainda que a América Latina e as Caraíbas cresçam 2,1% este ano, três décimas menos do que em 2025, devido a um “contexto macroeconómico desafiante”, que implica elevados níveis de endividamento, procura externa fraca e pressões inflacionistas provocadas pela guerra no Médio Oriente.

Neste cenário, o organismo internacional elenca que a economia da Argentina se destaca, ao mesmo tempo em que o Brasil e o México “sofrem com a perda de dinamismo em meio a condições financeiras internas restritivas, espaço fiscal limitado e incerteza em relação à política comercial".

No relatório, o BM projeta um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,6% para a Argentina já em 2026, contra os 4,4% do ano passado e o tombo de 1,3% em 2024, primeiro ano de gestão de Javier Milei. 

Sobre o Brasil, a maior economia da América Latina, o Banco Mundial prevê que o país “desacelere ainda mais em relação a 2025, à medida que as condições financeiras restritivas—com as taxas de juros permanecendo elevadas até o início de 2026—e o ambiente externo fraco pressionam o crédito, o investimento e o comércio”. 

“Consequentemente, uma melhora mais perceptível deverá ocorrer apenas se as condições monetárias se normalizarem e as pressões globais diminuírem”, informa o relatório.

No fim do mês de março, o Banco Central brasileiro manteve a projeção de crescimento em 1,6% para este ano, no entanto, a instituição monetária afirmou que a atual previsão está sujeita a "maior incerteza" diante dos efeitos da guerra no Médio Oriente.

Também à época, um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado apontou que o Brasil é uma das poucas economias mundiais que conseguem absorver o 'stress' do mercado por causa do conflito no Médio Oriente. 

"Economias avançadas com mercados de capitais domésticos profundos e alguns exportadores de matérias-primas com reservas significativas — como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, ou produtores latino-americanos de matérias-primas como o Brasil e o Equador — conseguem absorver melhor o 'stress' do mercado, mesmo não estando imunes a prémios de risco mais elevados", frisou o FMI. 

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