BCE considera que banca da zona euro tem exposição limitada ao crédito privado

Os ativos sob gestão dos fundos de crédito privado geridos a partir de sedes na zona euro representavam 100 mil milhões de euros em 2025, segundo números do Banco Central Europeu.
Sede do BCE, em Frankfurt.
Sede do BCE, em Frankfurt.Dirk Claus/ECB
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O Banco Central Europeu (BCE) considera que "as instituições financeiras da zona euro parecem ter uma exposição direta limitada ao crédito privado", mas adverte que as seguradoras e os fundos de pensões podem ter perdas.

Num artigo do próximo Relatório de Estabilidade Financeira, publicado esta terça-feira, 26, os economistas do BCE analisam as tensões nos mercados globais de crédito privado e as suas implicações para a estabilidade financeira da zona euro. 

O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, apresenta na quarta-feira, numa conferência de imprensa, o relatório, que dá uma panorâmica das principais vulnerabilidades para a estabilidade financeira da zona euro.

Dado que a exposição direta é limitada, consideram que é improvável que o crédito privado isolado possa ser a causa de instabilidade financeira neste momento.

No entanto, o BCE adverte que "as seguradoras e os fundos de pensões em particular poderiam, num cenário adverso, enfrentar perdas de reavaliação mais importantes de segunda ronda" se uma crise de liquidez no crédito privado contagiar os empréstimos alavancados, os títulos de alto rendimento e o mercado de ações.

O BCE considera que é necessário observar o mercado atentamente, especialmente tendo em conta o agravamento da qualidade do crédito, a possível expansão para estruturas orientadas para investidores de retalho e a importância do crédito privado no financiamento da inteligência artificial.

Da mesma forma, o BCE insta a reduzir a opacidade do crédito privado, enfrentar a falta de dados e estabelecer uma definição harmonizada de crédito privado a nível global para poder calcular bem as exposições diretas e avaliar melhor os riscos.

Os ativos sob gestão dos fundos de crédito privado geridos a partir de sedes na zona euro representavam 100.000 milhões de euros em 2025, segundo números do BCE.

Os ativos sob gestão dos fundos de crédito privado na zona euro cresceram em média 14% ao ano desde 2010, mas são pequenos em comparação com os mercados de títulos públicos nacionais e de empréstimo bancário e com os mercados de crédito privado nos EUA.

"Os bancos, seguradoras e fundos de pensões da zona euro parecem ter exposições limitadas ao crédito privado", mas "as exposições estão concentradas em poucos grandes jogadores", alerta o BCE.

Destas entidades, as seguradoras são as mais expostas ao crédito privado.

As exposições ao crédito privado das seguradoras e dos fundos de pensões são de cerca de cerca de 211.000 milhões de euros e 52.000 milhões de euros, respetivamente, ou 2,3% e 1,4% dos ativos totais, segundo dados do BCE.

No entanto, há grandes diferenças entre os países e as exposições são muito mais elevadas na Alemanha, França e Holanda.

As exposições dos bancos da zona euro ao crédito privado em todo o mundo ascendem a 62.500 milhões de euros, 0,2% dos ativos totais.

As exposições dos bancos e seguradoras estão concentradas num número pequeno de grandes instituições. 

Além do artigo sobre as exposições do sistema financeiro da zona euro ao crédito privado, o Relatório de Estabilidade Financeira também inclui outros artigos, como um sobre a forma como as ferramentas de inteligência artificial podem melhorar a análise do clima de confiança.

Outro examina a divergência entre o crescente número de falências e os baixos níveis de empréstimos problemáticos.

O quarto artigo avalia os efeitos das políticas de prudência macroeconómica no crédito às famílias e nos preços da habitação.

Sede do BCE, em Frankfurt.
BCE considera que dez bancos importantes da zona euro tinham em 2025 provisões insuficientes
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