BCE prevê subida dos salários até 2,8% em 2027 e admite novos aumentos nos juros
O Banco Central Europeu (BCE) antecipa uma aceleração moderada nos vencimentos dos trabalhadores da zona euro ao longo dos primeiros nove meses de 2027. De acordo com os dados atualizados do indicador salarial do organismo, os salários negociados deverão crescer 2,7% na segunda metade de 2026, avançando para os 2,8% nos primeiros seis meses do próximo ano.
O indicador, que compila os acordos coletivos assinados até meados de outubro, projeta contudo uma desaceleração no ritmo de crescimento para os 2,4% no terceiro trimestre de 2027. A estabilização observada no início de 2026 explica-se pelo fim do impacto dos pagamentos extraordinários únicos efetuados em 2024, cujos efeitos no cálculo estatístico ficaram completamente dissipados no segundo semestre do presente ano.
A evolução do rendimento dos trabalhadores assume um papel central na análise do BCE para prever a trajetória da inflação na moeda única. Após ter mantido a taxa de depósitos nos 2,5%, a instituição financeira deixou em aberto um novo agravamento do custo do dinheiro na próxima reunião de política monetária, agendada para dezembro.
No centro das preocupações dos governadores do banco central está a subida continuada dos custos energéticos. O organismo receia que o encarecimento da energia force as empresas a refletir estes encargos no consumidor final, levando por sua vez os trabalhadores a exigir aumentos salariais para compensar a perda de poder de compra.
Este cenário alimenta o risco de uma espiral entre preços e salários, na qual o aumento dos custos laborais e do consumo pressiona novamente a inflação no mercado europeu. Com o indicador de preços na zona euro a fixar-se nos 4% em outubro — impulsionado por uma subida de 20,8% no setor da energia —, a subida das taxas de juro surge como a principal ferramenta do BCE para encarecer o crédito, arrefecer a procura e travar a escalada inflacionista.

