

O Banco de Portugal (BdP) divulgou, esta segunda-feira, o Boletim Económico de junho e manteve a previsão de crescimento do PIB em 1,8% para 2026, repetindo as projecções publicadas em março.
Para 2027 e 2028, o banco central antevê crescimentos de 1,6% e 1,8%, respectivamente.
A actualização limita‑se sobretudo a uma revisão em alta da inflação: 3,1% em 2026 (mais 0,3 pontos percentuais face a março), 2,4% em 2027 (mais 0,1 pp) e 2,0% em 2028.
Entre os pressupostos macroeconómicos do boletim consta um preço médio do petróleo revisto para 82,9 euros por barril em 2026 e a recente revisão em baixa do crescimento da Zona Euro pelo BCE, agora estimado em 0,8% para 2026.
As projecções saem três meses após as últimas estimativas do BdP e num contexto marcado por um período de bloqueio no Golfo Pérsico. Chegam também poucas horas depois do anúncio de um acordo entre Irão e Estados Unidos para estender um cessar‑fogo por 60 dias — medida que deverá permitir restabelecer o transporte de bens energéticos pelo Estreito de Ormuz.
O BdP, porém, afirma que esse desenvolvimento não está incorporado no cenário e assume, por enquanto, efeitos energéticos “contidos e temporários”.
Na apresentação do boletim, o governador do banco central, Álvaro Santos Pereira, explicou que a revisão em alta da inflação reflete a subida dos preços da energia e dos fertilizantes e os maiores aumentos nos preços dos serviços.
A equipa do BdP sublinha ainda que a economia portuguesa está em melhores condições para enfrentar choques externos do que em 2022, devido à redução da dependência energética do exterior, ao reforço das renováveis e a níveis de endividamento mais baixos.
Mesmo não mexendo na previsão de subida do PIB, as expectativas quanto às componentes do crescimento foram revistas face a março. O BdP surge agora mais optimista quanto à evolução do investimento e do consumo público, mantendo, todavia, perspectivas de um crescimento mais contido do consumo das famílias.
A instituição também elevou a previsão para as exportações, que deverão subir 2% (contra 1,4 p.p. em março), com Santos Pereira a atribuir este ajuste aos dados mais favoráveis dos primeiros meses do ano, que espera que "continuem assim".
Por outro lado, o banco central prevê um maior aumento das importações — 3,7% (contra 1,9% previsto em março) — o que deverá traduzir‑se num contributo mais negativo da procura externa líquida para o crescimento do PIB.
De acordo com o Banco de Portugal, esta revisão em alta nas importações, à semelhança do que acontece na questão do investimento, está relacionado com a aquisição de grandes quantidades de chips destinados aos centros de dados em Sines.