Bilionário canadiano Stephen Smith vai comprar 27% do "The Economist"

Segundo o "Financial Times", Stephen Smith pagou cerca de 300 milhões de libras (cerca de 347 milhões de euros) por 27% do "The Economist". Acordo de venda está ainda sujeito à aprovação.
Bilionário canadiano Stephen Smith vai comprar 27% do "The Economist"
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O bilionário canadiano Stephen Smith vai comprar 27% do grupo The Economist a Forester de Rothschild, o que marca a primeira mudança de propriedade numa década na editora da prestigiada revista, noticia esta terça-feira, 17 de março, o Financial Times (FT).

De acordo com o FT, a 'holding' familiar de Stephen Smith, a Smith Financial, vai adquirir uma posição de 26,9% no grupo Forester de Rothschild, da sua família e da fundação.

Segundo o jornal, que cita fontes familiarizadas com o tema, Smith pagou cerca de 300 milhões de libras (cerca de 347 milhões de euros, à taxa de câmbio atual).

"Este investimento reflete o total apoio de Smith à longa tradição de rigorosa independência editorial do The Economist e garantirá que a estratégia e as operações do The Economist continuem sem alterações", afirmou a Smith Financial, em comunicado.

O The Economist, cuja primeira publicação data de 1843, confirmou o acordo de venda, que ainda está sujeito à aprovação.

Os termos do acordo não foram divulgados.

A aquisição da participação representa o primeiro grande investimento de Stephen Smith no setor dos media.

O bilionário cofundou a First National Financial em 1988, apenas quatro anos após ter declarado falência.

A empresa de crédito hipotecário foi adquirida no ano passado por grupos de investimento, incluindo a Brookfield, num negócio de 2,9 mil milhões de dólares canadianos (2,1 mil milhões de dólares ou 1,8 mil milhões de euros), no qual Smith vendeu cerca de dois terços da sua participação de 37,4%.

É também coproprietário da Canada Guaranty Mortgage Insurance e adquiriu a instituição financeira Home Trust em 2023, fundindo-a com o Fairstone Bank of Canada em 2025. O bilionário é ainda coproprietário da Glass Lewis.

Smith desempenha as funções de presidente da empresa de consultoria de voto por procuração Glass Lewis, da qual é coproprietário.

Os Rothschild contrataram a Lazard para vender a sua participação no The Economist — que inclui ações que representam 20% dos direitos de voto do grupo — no ano passado.

O grupo Economist (The Economist Group) — que inclui a Economist Intelligence Unit, uma empresa de investigação e análise — registou receitas de 368,5 milhões de libras (426,5 milhões de euros) em 2025, um aumento face aos 359,5 milhões de libras do ano anterior.

O lucro operacional subiu para 48,1 milhões de libras (55,6 milhões de euros) e as subscrições aumentaram 3%, atingindo 1,3 milhões (1,5 milhões de euros).

O grupo tem uma estrutura de propriedade complexa, com quase 1000 acionistas, que vão desde participações familiares a colegas atuais e antigos e às suas famílias.

A participação dos Rothschild, que Stephen Smith está a comprar, inclui ações ordinárias e ações especiais da classe "A", que lhe darão direito de voto na nomeação dos administradores do Conselho.

A Exor, veículo de investimento da família Agnelli, detém 43,4% no grupo, incluindo todas as suas ações especiais da classe "B".

Existem também ações detidas por curadores, cujo consentimento é necessário para determinadas atividades corporativas, a fim de proteger a independência editorial do The Economist.

Nenhum acionista individual, ou grupo de acionistas agindo em concertação, tem o direito de exercer votos que representem mais de 20% do total dos direitos de voto, o que, na prática, impede qualquer tentativa de obter o controlo maioritário, recorda o FT.

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