

A Comissão Europeia vai pedir esclarecimentos à China sobre a inclusão de 14 empresas europeias na sua lista de controlo das exportações, em retaliação às sanções impostas por Bruxelas, querendo ainda avaliar o seu impacto.
“Relativamente anúncio feito hoje pela China, estamos a analisar as medidas anunciadas ainda hoje e iremos também articular-nos com os Estados-membros e, através deles, com as empresas em causa, para compreender qual é o impacto dessas medidas anunciadas pela China”, disse a porta-voz principal do executivo comunitário, Paula Pinho.
Falando na conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas, a responsável adiantou: “Naturalmente, procuraremos depois obter esclarecimentos junto dos nossos homólogos na China, a fim de compreender melhor exatamente o que está em causa”.
A China anunciou hoje que vai acrescentar 14 empresas da União Europeia (UE) à sua lista de controlo das exportações, em retaliação pelas sanções impostas por Bruxelas a igual número de empresas chinesas no mais recente pacote de medidas relacionado com a guerra na Ucrânia.
Num comunicado divulgado no seu portal oficial, um porta-voz do ministério do Comércio chinês classificou as sanções da UE como "atos ultrajantes", referindo-se às medidas aplicadas a 14 empresas chinesas, entre as quais quatro sediadas na região administrativa especial de Hong Kong.
As empresas visadas pela retaliação de Pequim pertencem a vários países da UE, como Itália, onde foram incluídas a fabricante de motores elétricos Lafert e a empresa de automação e robótica Garnet.
Na Alemanha, figuram o grupo de materiais de revestimento Sindlhauser, a fabricante de armamento Rheinmetall, a maior do país, e a fornecedora de produtos químicos Antraco.
Em França, as restrições abrangem a produtora de bolachas de fosforeto de índio InPACT, o laboratório de investigação em fotónica e microeletrónica III-V Lab e a fabricante de drones Cavok UAS.
Na Polónia, foram incluídas a fabricante de detetores de fotões infravermelhos Vigo Photonics e a Universidade Politécnica de Wroclaw.
A lista inclui ainda os estaleiros navais neerlandeses IHC, a fabricante checa de camiões Tatra Trucks, o grupo búlgaro de ótica e optoeletrónica Opticoelectron Group e a empresa lituana de sistemas laser Ekspla.
A partir de hoje, estas 14 empresas ficam impedidas de receber exportações chinesas de bens de dupla utilização, civil e militar.
Segundo o ministério do Comércio, a proibição aplica-se igualmente a empresas de outros países sempre que os produtos tenham origem na China.
Pequim justificou a decisão com a necessidade de "salvaguardar a segurança e os interesses nacionais", bem como de "cumprir as obrigações internacionais em matéria de não proliferação".
A decisão surge não só após o anúncio das sanções por Bruxelas, mas também um dia depois de uma delegação da Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento Europeu ter concluído uma visita oficial à China, durante a qual abordou, entre outros temas, a guerra na Ucrânia com responsáveis chineses, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi.
Desde o início da guerra na Ucrânia, a China tem mantido uma posição ambígua, defendendo simultaneamente a integridade territorial de todos os países, incluindo a Ucrânia, e a necessidade de atender às "legítimas preocupações de segurança" de todas as partes, numa referência à Rússia.