O ex-governador do Banco de Portugal Mário Centeno disse esta terça-feira, 21 de abril, que o mercado laboral português "não tem défice de flexibilidade", realçando que poucos países no mundo têm níveis de flexibilidade laboral comparável à portuguesa.
"Há muito poucos países no mundo, e os Estados Unidos não são um deles, em que a rotação do emprego seja maior do que em Portugal. Há muito poucos países no mundo que tenham níveis de flexibilidade laboral comparável à portuguesa", argumentou Centeno, no encerramento da 3.ª Conferência Anual do Trabalho, organizada pelo Eco, em Lisboa.
O economista assegurou assim que, na sua visão, não há um défice de flexibilidade no mercado laboral português.
Centeno salientou ainda que é necessário analisar os dados com cautela, sendo que, por exemplo, o desemprego jovem não é uma boa estatística, principalmente quando estamos em pleno emprego, porque "estes jovens estão desempregados porque rodam de emprego para emprego e são apanhados na estatística naquele momento como desempregados".
Olhando para os dados, da flexibilidade e da rotação de emprego, se calhar até há "demasiada mobilidade em Portugal", assumiu.
Para o ex-governador, o que é necessário é estabilidade, previsibilidade e credibilidade, para ter "bons processos legislativos e boa condução da política económica".
Centeno defendeu desta forma que as alterações legislativas devem ser precedidas de análise dos dados, como aconteceu nas alterações de 2007, quando foi feito o Livro Verde e o Livro Branco antes de se avançar com a mudança da lei laboral.
O economista argumentou também que "não é a legislação laboral que impede a melhoria da produtividade", tendo sido a "baixíssima formação e níveis de qualificação com que os portugueses entravam para o mercado de trabalho" que afetou este indicador.
O anteprojeto de reforma da legislação laboral, intitulado Trabalho XXI, foi apresentado em 24 de julho de 2025 como uma revisão "profunda" da legislação laboral, contemplando mais de 100 alterações ao Código do Trabalho.