

Nos primeiros oito meses do ano, a China importou um recorde de 158,8 mil milhões de dólares (139 mil milhões de euros) em ouro, destacando-se como um movimento estratégico para diversificar ativos num cenário de instabilidade económica.
Segundo o Financial Times, o país adquiriu mais de mil toneladas de ouro, ultrapassando as 886 toneladas de todo o ano de 2025.
O aumento das importações está ligado a uma procura por alternativas de investimento, especialmente devido à crise imobiliária prolongada, ao fraco desempenho do mercado de ações e aos rendimentos baixos das obrigações.
Apesar da China ser o maior produtor mundial de ouro, com 384 toneladas extraídas no ano passado, a procura interna continua a crescer. O índice CSI 300, que reflete as principais empresas cotadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,8% este ano, enquanto as posições em títulos do Tesouro dos EUA caíram para níveis não vistos desde 2008.
Lisa Liu, da Gold Mountains Asset Management, afirma que tanto o banco central como investidores privados estão a "diversificar as reservas e poupanças em direção a um ativo sem risco de contraparte". Este movimento não é visto como uma operação de curto prazo, mas sim como uma reestruturação estratégica a longo prazo.
A crescente procura por ouro também reflete uma mudança nas estratégias de investimento globais, com o metal precioso a desempenhar um papel crucial na diversificação de carteiras, especialmente num ambiente onde a relação entre obrigações e ações está a mudar.
Analistas do Goldman Sachs sugerem que as compras de ouro pelo Banco Popular da China podem ser superiores aos números oficiais, com estimativas de aquisição de 35 toneladas em julho.
Em paralelo, a tendência de manter reservas de ouro mais próximas dos seus proprietários é crescente, exemplificada pela recente transferência de reservas dos Países Baixos de Nova Iorque para Londres.