China: economia acelera para 4,5% no terceiro trimestre e corresponde aos mínimos de Pequim

O PIB acelerou face ao segundo trimestre, no qual atingiu o nível mais baixo em três anos. O setor dos serviços foi o que mais cresceu, na ordem de 5,2%. Os restantes cresceram abaixo do índice geral.
China: economia acelera para 4,5% no terceiro trimestre e corresponde aos mínimos de Pequim
ANDRES MARTINEZ CASARES/EPA
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A economia da China cresceu 4,5% no terceiro trimestre, em comparação com igual período de 2025, situando-se na faixa inferior da meta anunciada pelo Governo para 2026, segundo dados oficiais divulgados esta segunda-feira.

Um grupo de economistas consultados pela agência de notícias France-Presse projetava um crescimento de 4,4% entre o início de julho e o final de setembro, depois dos 4,3% registados no segundo trimestre, o nível mais baixo em mais de três anos.

Isto resulta num crescimento acumulado de 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês nos primeiros três trimestres, atingindo cerca de 107,1 biliões de yuan (14,3 biliões de euros).

Por setores, o primário cresceu 3,7% entre janeiro e setembro, o secundário, 3,8%, e o terciário, 5,2%, de acordo com as estimativas preliminares divulgadas pelo Gabinete Nacional de Estatísticas chinês.

O organismo afirma que, ao longo dos primeiros três trimestres, a segunda maior economia do mundo "alcançou um desenvolvimento sustentado e sólido face às pressões, demonstrando o seu ímpeto com novos motores de crescimento e uma estrutura melhorada".

"A economia nacional continuou a demonstrar uma forte resiliência e vitalidade", acrescenta o comunicado, que, no entanto, volta a deixar alertas sobre um "cenário internacional complexo e volátil" e a persistência de "problemas de procura insuficiente" a nível nacional, ao mesmo tempo que apela à "consolidação das bases" do crescimento.

Pequim estabeleceu como meta um aumento do PIB de 4,5% a 5% para este ano, que seria o nível mais baixo em décadas.

O choque energético global, provocado pela guerra contra o Irão, somado à persistente debilidade do consumo interno na China, dificulta esta meta e contrabalança o vigor das exportações, impulsionadas pela inteligência artificial.

No início do mês, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu a previsão para o crescimento económico da China em 2026 para 4,5%, situando-o exatamente no limite inferior da meta estabelecida por Pequim.

A China registou oficialmente um crescimento de 5% em 2025. No entanto, o país continua a ter dificuldade em recuperar o dinamismo observado antes da pandemia de covid-19.

A economia chinesa enfrenta uma crise no setor imobiliário, endividamento dos governos locais, excesso de capacidade produtiva, pressões deflacionistas e uma elevada taxa de desemprego entre os jovens.

O número oficial de crescimento, por si só, tornou-se "um indicador cada vez menos preciso do desempenho da economia como um todo", afirmou Max Zenglein, economista sénior para a região da Ásia-Pacífico no The Conference Board, uma organização de análise económica destinada a empresas, com sede em Nova Iorque.

Segundo Zenglein, este dado acaba por mascarar "disparidades cada vez maiores entre diferentes setores, regiões e famílias".

O economista salientou que Pequim enfrenta escolhas difíceis, e que gerir os desequilíbrios internos pode revelar-se um desafio ainda maior do que lidar com as pressões externas.

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Economia chinesa regista crescimento mais baixo desde 2022 entre abril e junho
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