China mostra força nas renováveis em Pequim em plena volatilidade energética global

O recente aumento do preço do crude, associado à escalada do conflito e às tensões no estreito de Ormuz – por onde passam 45% das importações chinesas de petróleo –, teve impacto direto na China
China mostra força nas renováveis em Pequim em plena volatilidade energética global
D.R.
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A subida do preço do petróleo, impulsionada pelas tensões no Médio Oriente, coincide com a abertura em Pequim da XVI Exposição Internacional de Energia Limpa da China, montra de um setor em expansão no país asiático.

O evento reúne até sexta-feira, em Pequim, cerca de 800 expositores no Centro Nacional de Convenções, contando com a participação de empresas e especialistas do setor.

O recente aumento do preço do crude, associado à escalada do conflito e às tensões no estreito de Ormuz – por onde passam 45% das importações chinesas de petróleo –, teve impacto direto na China.

Na segunda-feira, registaram-se filas em postos de combustível, na véspera da subida dos preços, evidenciando a exposição do país às flutuações do mercado internacional.

Os expositores dedicados ao hidrogénio ocupam uma parte significativa da feira.

A China tem vindo a reforçar o papel desta tecnologia nos últimos anos: em 2024 incluiu, pela primeira vez, o desenvolvimento do hidrogénio no relatório de trabalho do Governo, comprometendo-se a “acelerar o desenvolvimento da energia baseada no hidrogénio” como parte da transição energética.

O evento decorre em paralelo com a rápida expansão das energias renováveis na China, que em 2025 voltou a atingir máximos: a capacidade solar aumentou 35%, para cerca de 1.200 gigawatts (GW), e a eólica cresceu 23%, para cerca de 640 GW, consolidando o país como líder mundial em ambas as tecnologias.

De acordo com dados recentes, a capacidade combinada de energia eólica e solar já ultrapassou os 1.690 GW em 2025, cerca do triplo do registado em 2020, representando a maior parte da nova capacidade elétrica instalada no país nos últimos anos.

Este avanço reflete-se também na estrutura do sistema energético: as renováveis representaram mais de 35% da eletricidade em 2025, com forte crescimento da solar e da eólica, tendo estas fontes chegado, em alguns momentos, a gerar mais de 25% da produção elétrica total.

A China mantém como metas atingir o pico das emissões de dióxido de carbono antes de 2030 e a neutralidade carbónica antes de 2060, além de reduzir em pelo menos 60% as emissões por unidade de PIB face a 2005 e aumentar o peso das energias não fósseis no sistema energético.

O novo plano quinquenal (2026-2030), aprovado este mês, aposta em “impulsionar o desenvolvimento verde e de baixo carbono” e em “promover a transição energética”.

Segundo relatórios das organizações Ember e Greenpeace, o crescimento das renováveis e da eletrificação está a reconfigurar o sistema energético chinês: entre 2015 e 2023, o uso de combustíveis fósseis no consumo final caiu 1,7%, enquanto o consumo de eletricidade aumentou 65%.

A importância do setor ficou também patente num simpósio realizado no âmbito da feira, onde o especialista Fang Ting afirmou que a energia fotovoltaica passou de “capacidade complementar a capacidade principal” no sistema energético chinês.

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