

A China advertiu que “responderá com firmeza” para defender os “direitos e interesses legítimos” das suas indústrias caso a União Europeia (UE) adote novas medidas restritivas contra empresas ou produtos chineses, afirmou o Ministério do Comércio.
O ministério reagiu assim a informações segundo as quais vários Estados-membros da UE estarão a preparar um documento conjunto para pedir à Comissão Europeia que acelere a criação de um instrumento semelhante à secção 301 da Lei do Comércio dos Estados Unidos e adote medidas mais duras contra o comércio chinês.
Num comunicado divulgado na terça-feira à noite, um porta-voz do ministério do Comércio chinês afirmou que o eventual instrumento constitui uma medida “tipicamente protecionista e unilateral”, que “não só não contribui para resolver os problemas, como acabará por se virar contra a própria União Europeia”.
“A UE também já foi vítima deste tipo de instrumentos: não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”, afirmou o porta-voz, acrescentando que a iniciativa poderá perturbar a estabilidade do comércio entre a China e a Europa e das cadeias industriais e de abastecimento mundiais.
Segundo Pequim, se Bruxelas mantiver o diálogo com a China ao mesmo tempo que “intensifica as demonstrações de força” contra o país, poderá prejudicar gravemente a confiança mútua, interferir nas consultas entre as duas partes e “afetar o conjunto da cooperação económica e comercial”.
“A China insta a parte europeia a manter-se no caminho correto de gerir as divergências através do diálogo”, afirmou.
“Se a parte europeia insistir em introduzir medidas restritivas discriminatórias contra empresas ou produtos chineses, a China responderá sem dúvida com firmeza para defender os direitos e interesses legítimos das suas indústrias”, acrescentou.
O jornal oficial Global Times relacionou a reação com um artigo recente de Noah Barkin, conselheiro sénior para as relações entre China e Europa, da consultora Rhodium Group, segundo o qual Alemanha e França estariam a finalizar um documento conjunto para instar a Comissão Europeia a acelerar o desenvolvimento de um instrumento que atribua a Bruxelas novos poderes para restringir o acesso da China ao mercado comunitário.
A resposta de Pequim surge antes da visita à capital chinesa do comissário do Comércio europeu, Maros Sefcovic, prevista para 08 e 09 de outubro, durante a qual deverá discutir com responsáveis chineses o estado das relações económicas e comerciais bilaterais.
Sefcovic afirmou na semana passada que Bruxelas pretende “reequilibrar” o comércio com Pequim, abordando o futuro das exportações chinesas para a UE e o acesso das empresas europeias ao mercado chinês.