A subida do preço dos combustíveis e lubrificantes foi notória em toda a União Europeia (UE), em março. Portugal não foi exceção, com um aumento equivalente à média.
Tudo começou no último dia de fevereiro. Os EUA e Israel juntavam-se para atacar Israel, que respondeu com ataques a bases militares norte-americanas estabelecidas no Médio Oriente. As semanas seguintes trouxeram um escalar de tensões, com ataques a infraestruturas energéticas e o bloqueio do estreito de Ormuz (por onde passa, em condições normais, 20% do mercado global de petróleo), que causou uma redução brusca da oferta.
Por consequência, registou-se uma escalada dos preços do petróleo. O gasóleo e gasolina, cuja produção tem por base aquele combustível fóssil, dispararam igualmente, nas estações de serviço portuguesas, europeias e, a bem da verdade, ao redor do mundo. O mesmo aconteceu na categoria de combustíveis e lubrificantes.
Os impactos estendem-se aos mais variados setores, a começar pelo transporte de passageiros e mercadorias. Ora, num contexto de subida dos preços em março face a fevereiro em todos os Estados-membros da UE, Portugal viu os preços dos combustíveis e lubrificantes acompanharem a subida média europeia.
De acordo com os dados revelados esta terça-feira pelo Eurostat, os preços subiram 13,5% na zona euro e no espaço comunitário, numa escala mensal. Em Portugal, a variação foi exatamente a mesma, o que significa que foi a 15ª mais elevada, de entre os países em estudo. Ao mesmo tempo, gasóleo e gasolina aumentaram abaixo da UE.
No que diz respeito ao gasóleo e gasolina, as subidas observadas na economia nacional foram inferiores às médias registadas pelo escritório de estatísticas europeu. É que estas últimas apontam para escaladas de 19,1% na UE e 18,9% na zona euro, entre os preços do gasóleo. Ao nível da gasolina, as subidas foram mais leves, na ordem de 10,6% e 10,4%, pela mesma ordem, no índice harmonizado de preços ao consumidor.
A tendência do gasóleo a subir, em termos relativos, acima da gasolina, foi transversal a toda a Europa e, nas 'bombas' portuguesas, o cenário não foi diferente. O gasóleo ficou 17,4% mais caro em março, o que significa o 19º maior aumento. Em simultâneo, a gasolina subiu 8,1%, na 20ª posição (a par de Espanha).
De referir, a este respeito, que a escalada de preços que teve lugar em março estendeu-se a abril. Prova disto é que na segunda-feira, 20 de abril, gasóleo e gasolina estavam 22% e 11% mais caros, ao mesmo tempo que a escassez de petróleo e faz subir os preços dos contratos de petróleo a curto prazo muito além dos contratos futuros (dizem respeito à compra a médio e longo prazo).
Na vertente da comparação homóloga (face a março de 2025), os combustíveis e lubrificantes registaram incrementos de 12,9% na UE e 13,4% na zona euro. Por cá, os preços avançaram 12,2%, naquele que foi o 14º aumento mais expressivo de entre os Estados-membros, em março. Recorde-se que, nos três meses anteriores, registaram-se descidas nos preços, tanto na economia portuguesa, como na UE e na zona euro.
O cenário é problemático à escala global, mas de forma particularmente significativa no continente europeu. Muitos destes países necessitam de grandes quantidades de petróleo para que se mantenha o dinamismo das economias. Alguns, em especial no norte da Europa, usam-no até para aquecer as casas, por exemplo. Ao mesmo tempo, a generalidade está longe de chegar a um patamar de soberania energética.
Posto isto, a exposição a choques energéticos é grande, de tal forma que de Bruxelas já saíram medidas que visam conter os gastos de petróleo nos Estados-membros. Desde o teletrabalho às aulas sobre condução mais ecológica, os consumidores europeus deparam-se com um cenário em que mudar hábitos pode tornar-se, mais do que um mecanismo de prevenção, uma ferramenta decisiva para defender as carteiras.
Atenções viradas para o Golfo
Com o ultimato declarado pelos EUA, os investidores e toda a indústria petrolífera aguardam com expetativa por novidades, seja do lado dos EUA ou do Irão. Recorde-se que o Irão voltou a fechar o estreito de Ormuz, depois de o abrir, conferindo instabilidade ao setor energético mundial.