Combustível não declarado gerou perdas fiscais de 1.121 milhões de euros entre 2023 e 2025

Análise estima que o volume médio de combustível branco importado de forma não declarada tenha aumentado para cerca de 553 milhões de litros, em 2025.
Combustível não declarado gerou perdas fiscais de 1.121 milhões de euros entre 2023 e 2025
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A importação não declarada de combustível terá gerado perdas fiscais de 1.121 milhões de euros entre 2023 e 2025, segundo estimativas de um estudo apresentado esta quarta-feira, 8 de julho, pela EPCOL.

O estudo “Irregularidades operacionais e regulatórias no Sistema Petrolífero Nacional”, da Associação de Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes (EPCOL), centra-se na importação terrestre não declarada de combustíveis brancos, gasolina e gasóleo, no período entre 2023 e 2025.

Segundo o documento, daquele montante total, cerca de 704 milhões de euros correspondem a perdas médias estimadas de Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP), enquanto 417 milhões de euros dizem respeito a perdas médias estimadas de Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA).

A análise estima que o volume médio de combustível branco importado de forma não declarada tenha aumentado de 381 milhões de litros, em 2023, para cerca de 553 milhões de litros, em 2025, o que representa um crescimento acumulado de 45,1% no período analisado.

Em 2025, o volume estimado de combustível não declarado equivalia a 17.276 camiões-cisterna por ano, correspondendo a 24,03% do total de camiões-cisterna associados às importações de combustíveis brancos nesse ano, de acordo com o estudo.

A EPCOL assinala que, com base na informação e nos esclarecimentos recolhidos, “o fenómeno em apreço se materializa maioritariamente em operações de menor escala e/ou com padrões operacionais específicos, não sendo possível identificar, de forma sistemática, uma associação entre este tipo de práticas irregulares e os modelos de atuação predominantes dos principais operadores do setor”, lê-se no documento.

Além das perdas fiscais, o estudo identifica impactos no cumprimento de obrigações regulatórias, incluindo a incorporação de biocombustíveis e a constituição de reservas obrigatórias de combustíveis.

No caso dos biocombustíveis, o documento aponta para cerca de 103,1 milhões de euros em penalizações atribuídas pela ENSE - Entidade Nacional para o Sector Energético - no período de referência, associadas ao incumprimento das obrigações de incorporação.

Já o valor em incumprimento associado às reservas obrigatórias totalizou 7,27 milhões de euros entre 2023 e 2025, o equivalente a 4,88% do montante global devido, atingindo o valor mais elevado em 2024, com 3,85 milhões de euros.

A EPCOL considera que as discrepâncias identificadas têm impacto na consistência dos processos declarativos, na fiabilidade do reporte das metas ambientais, na segurança energética e nas condições de concorrência entre operadores.

Entre as recomendações, o estudo propõe a harmonização legislativa entre Portugal e Espanha, o reforço do quadro sancionatório, maior coordenação entre entidades reguladoras, a exclusão de operadores infratores de concursos públicos e o reforço da fiscalização e do controlo operacional.

O documento defende ainda a monitorização financeira contínua dos operadores, através de instrumentos que permitam avaliar a capacidade económico-financeira e a adequação das garantias associadas às obrigações regulatórias e declarativas no setor.

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