Comércio eletrónico pode reforçar vendas lusófonas para a China, segundo secretário-geral do Fórum de Macau

As exportações lusófonas para o país registaram o melhor arranque de ano de sempre, ao subirem 22,1% para 94,6 mil milhões de euros entre janeiro e agosto.
Comércio eletrónico pode reforçar vendas lusófonas para a China, segundo secretário-geral do Fórum de Macau
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O secretário-geral do Fórum de Macau, Ji Xianzheng, disse esta sexta-feira à Lusa que o comércio eletrónico pode ajudar os países lusófonos a vender ainda mais produtos no mercado chinês.

As exportações lusófonas para a China registaram o melhor arranque de ano de sempre, ao subirem 22,1% para 105,8 mil milhões de dólares (94,6 mil milhões de euros) entre janeiro e agosto, de acordo com dados oficiais dos Serviços de Alfândega chineses.

Mas o líder do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) disse acreditar que este valor pode aumentar ainda mais com recurso ao comércio eletrónico.

Ji apelou aos estados lusófonos para "apanharem esta oportunidade oferecida pelas novas tecnologias de Internet", que podem "ajudar a ultrapassar as barreiras físicas e territoriais".

O dirigente falava à margem do encerramento de um colóquio sobre comércio eletrónico, que juntou em Macau durante duas semanas empresários e funcionários dos governos de seis países de língua portuguesa.

Um dos participantes, Renato Borges Ferreira Tomé, analista do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços brasileiro, recordou que a China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2015.

No entanto, o dirigente disse à Lusa que "o mercado chinês é uma grande economia e traz grandes oportunidades para o Brasil", mas que é essencial "diversificar a pauta de exportação".

Tomé sublinhou que o minério de ferro, soja e carne representam mais de metade das exportações brasileiras para a China e apontou o comércio eletrónico como uma via para "tornar o comércio mais equilibrado".

O analista defendeu que o Brasil tem de "aprender a usar as plataformas" para promover pequenos negócios e setores onde "o potencial é enorme", como produtos alimentares com maior valor acrescentado, vestuário e calçado.

Também à margem do colóquio, Ji Xianzheng disse que a sétima Conferência Ministerial do Fórum de Macau deverá acontecer entre abril e junho de 2027.

"Ficou definido, de um modo geral, que a conferência se realizará no segundo trimestre, embora as datas exatas ainda necessitem de ser definidas, em coordenação com as agendas dos líderes dos países-membros", disse o dirigente.

O secretário-geral do Fórum de Macau acrescentou que a conferência irá seguir "o formato definido em conjunto pela China e pelas nove nações participantes", incluindo a duração de três dias.

A data concreta para a realização da conferência deverá ser anunciada oficialmente "por volta do fim do ano, uma vez que parte do nosso trabalho preparatório está, neste momento, em curso internamente", disse Ji.

"Na primeira metade de 2027, os nossos esforços estarão totalmente focados na preparação da Conferência Ministerial", sublinhou, aos jornalistas, o secretário-geral do Fórum de Macau.

Seis conferências ministeriais foram realizadas no território, em 2003, 2006, 2010, 2013, 2016 e 2024 durante as quais foram aprovados Planos de Ação para a Cooperação Económica e Comercial.

O então ministro da Economia português, Pedro Reis, liderou a delegação de Portugal na sexta conferência, em abril de 2024, sublinhando na altura um foco no reforço da internacionalização de empresas portuguesas para a China e mercados lusófonos.

A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau.

Além do secretário-geral, o Secretariado Permanente do Fórum integra três secretários-gerais adjuntos: o timorense Danilo Afonso Henriques (indicado pelos países lusófonos), Xie Ying (nomeada pela China) e António Lei (nomeado por Macau).

O organismo integra, além da China, os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 2022, Guiné Equatorial.

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