

O desemprego recuou para 5,3% no segundo trimestre deste ano, o valor mais baixo do índice desde 2011.
De acordo com os dados publicados ontem pelo INE, a taxa de desemprego recuou 0,8 pontos percentuais (p.p.) face ao trimestre anterior e 0,6 p.p. por comparação com o mesmo período do ano passado.
É que a população desempregada foi estimada em 300,8 mil pessoas no segundo trimestre, o que significa uma queda de 13,1% em cadeia (menos 45,5 mil pessoas) e 8,7% em termos homólogos (redução de 28,7 mil).
A descida foi particularmente acentuada entre o sexo feminino (menos 18 mil desempregadas), na faixa etária dos 25 aos 34 anos ( e os que completaram, no máximo o 3.º ciclo do ensino básico. Somam-se os que já haviam estado empregados (-10,9%) e os desempregados há 12 ou mais meses (-11,1%).
Ao mesmo tempo, a população empregada ascendeu a quase 5,4 milhões de pessoas. Em causa estão aumentos de 1,9% face ao período homólogo (mais 99 mil pessoas) e 2,9% por comparação com o segundo trimestre (mais 151,5 mil).
As subidas mais acentuadas dizem respeito aos homens (mais 2,9%, ou 78,3 mil), pessoas dos 55 aos 64 anos (4,6%; 47,6 mil) e com ensino superior (5,3%; 99 mil). Os registos apontam ainda para os empregados no setor dos serviços (3,2%; 121,9 mil), trabalhadores por conta de outrem (2,7%; 118,0 mil), com contrato sem termo (3,9%; 147,7 mil) e a tempo completo (3,2%; 153,5 mil).
Simultaneamente, a população ativa cresceu 0,9% para 5,7 milhões de pessoas, em relação ao trimestre anterior e 2,2% se o termo de comparação for o período homólogo.
Também no segundo trimestre, a população empregada que realizou teletrabalho ascendeu a 1,15 milhão de pessoas. Em causa estão pessoas a trabalhar à distância, com recurso a tecnologias como computador e/ou telemóvel. Estamos a falar de um avanço de 0,2 pontos percentuais em cadeia e 0,4 pontos percentuais em termos homólogos. Falamos, por isso, do registo relativo mais elevado desde o terceiro trimestre de 2023.
Virando as atenções para a riqueza das famílias, houve um aumento quase na mesma proporção que os preços da habitação, entre 2020 e 2024. Isto porque a maioria do capital das famílias está investido, precisamente, em imobiliário, com uma parte significativa da população a ter casa própria. Assim, com o mercado a ditar a subida de preços, os ativos valorizam e as famílias enriquecem. Três quartos da riqueza financeira foi aplicada em depósitos, ao passo que a mediana da dívida já se aproxima do rendimento anual (mas continua a ser superior).
Os dados fazem parte das conclusões do Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF) de 2024 e foram igualmente divulgados pelo INE, em colaboração com o Banco de Portugal.
A riqueza líquida média e a riqueza líquida mediana (ativa e passiva) aumentaram cerca de 21%, em termos reais, em relação a 2020. Os dois indicadores atingiram 278,3 mil euros e 143,3 mil euros, respetivamente, guiados sobretudo pela valorização de, em média, 21,1% dos ativos reais - entre os quais os preços da habitação, que subiram 24,1%, no mesmo período.
Tradicionalmente, uma parte das dívidas diz respeito, precisamente, ao crédito à habitação e, por tendência, o peso sobre o bolso das famílias baixou, até 2024. É que o valor mediano do rácio entre a dívida e o rendimento anual recuou para 104,2% (era de 130,5% em 2020), ao passo que o valor mediano do rácio entre a dívida e os ativos se fixou em 21% (vindo de 25,1% em 2020, quando o mesmo estudo foi realizado pela última vez).
A redução do grau de endividamento resulta da redução da dívida, aumento do rendimento e valorização dos ativos detidos pelas famílias. Mas apesar desta tendência, quase uma em cada cinco tinha dívidas que mais do que dobravam o respetivo rendimento anual.
Também em 2024, três quartos da riqueza financeira (75,4%) estava aplicada em depósitos (incluindo certificados de aforro e do Tesouro), o que transparece uma aversão ao risco acentuada. A mesma tendência é reforçada noutro capítulo das conclusões, já que são quase sete em cada oito (86,6%) as famílias que reconheceram não estar dispostas a assumir quaisquer riscos financeiros.
Ao mesmo tempo, 10,8% mostraram abertura a riscos financeiros "médios". As restantes, 2,7%, estavam dispostas a assumir riscos "acima da média ou consideráveis", com particular incidência na faixa etária abaixo dos 35 anos.