Desemprego cai para mínimos de 15 anos no segundo trimestre. Dívidas baixam para perto do rendimento anual

A taxa de desemprego ficou-se pelos 5,3%, uma queda de 0,8 pontos face ao período anterior. Os desempregados passaram a ser 300 mil, com uma redução acentuada de desemprego entre as mulheres
Desemprego cai para mínimos de 15 anos no segundo trimestre. Dívidas baixam para perto do rendimento anual
André Afonso / Global Imagens
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O desemprego recuou para 5,3% no segundo trimestre deste ano, o valor mais baixo do índice desde 2011.

De acordo com os dados publicados ontem pelo INE, a taxa de desemprego recuou 0,8 pontos percentuais (p.p.) face ao trimestre anterior e 0,6 p.p. por comparação com o mesmo período do ano passado.

É que a população desempregada foi estimada em 300,8 mil pessoas no segundo trimestre, o que significa uma queda de 13,1% em cadeia (menos 45,5 mil pessoas) e 8,7% em termos homólogos (redução de 28,7 mil).

A descida foi particularmente acentuada entre o sexo feminino (menos 18 mil desempregadas), na faixa etária dos 25 aos 34 anos ( e os que completaram, no máximo o 3.º ciclo do ensino básico. Somam-se os que já haviam estado empregados (-10,9%) e os desempregados há 12 ou mais meses (-11,1%).

Ao mesmo tempo, a população empregada ascendeu a quase 5,4 milhões de pessoas. Em causa estão aumentos de 1,9% face ao período homólogo (mais 99 mil pessoas) e 2,9% por comparação com o segundo trimestre (mais 151,5 mil).

As subidas mais acentuadas dizem respeito aos homens (mais 2,9%, ou 78,3 mil), pessoas dos 55 aos 64 anos (4,6%; 47,6 mil) e com ensino superior (5,3%; 99 mil). Os registos apontam ainda para os empregados no setor dos serviços (3,2%; 121,9 mil), trabalhadores por conta de outrem (2,7%; 118,0 mil), com contrato sem termo (3,9%; 147,7 mil) e a tempo completo (3,2%; 153,5 mil).

Simultaneamente, a população ativa cresceu 0,9% para 5,7 milhões de pessoas, em relação ao trimestre anterior e 2,2% se o termo de comparação for o período homólogo.

Também no segundo trimestre, a população empregada que realizou teletrabalho ascendeu a 1,15 milhão de pessoas. Em causa estão pessoas a trabalhar à distância, com recurso a tecnologias como computador e/ou telemóvel. Estamos a falar de um avanço de 0,2 pontos percentuais em cadeia e 0,4 pontos percentuais em termos homólogos. Falamos, por isso, do registo relativo mais elevado desde o terceiro trimestre de 2023.

Riqueza das famílias aumenta

Virando as atenções para a riqueza das famílias, houve um aumento quase na mesma proporção que os preços da habitação, entre 2020 e 2024. Isto porque a maioria do capital das famílias está investido, precisamente, em imobiliário, com uma parte significativa da população a ter casa própria. Assim, com o mercado a ditar a subida de preços, os ativos valorizam e as famílias enriquecem. Três quartos da riqueza financeira foi aplicada em depósitos, ao passo que a mediana da dívida já se aproxima do rendimento anual (mas continua a ser superior).

Os dados fazem parte das conclusões do Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF) de 2024 e foram igualmente divulgados pelo INE, em colaboração com o Banco de Portugal.

A riqueza líquida média e a riqueza líquida mediana (ativa e passiva) aumentaram cerca de 21%, em termos reais, em relação a 2020. Os dois indicadores atingiram 278,3 mil euros e 143,3 mil euros, respetivamente, guiados sobretudo pela valorização de, em média, 21,1% dos ativos reais - entre os quais os preços da habitação, que subiram 24,1%, no mesmo período.

Tradicionalmente, uma parte das dívidas diz respeito, precisamente, ao crédito à habitação e, por tendência, o peso sobre o bolso das famílias baixou, até 2024. É que o valor mediano do rácio entre a dívida e o rendimento anual recuou para 104,2% (era de 130,5% em 2020), ao passo que o valor mediano do rácio entre a dívida e os ativos se fixou em 21% (vindo de 25,1% em 2020, quando o mesmo estudo foi realizado pela última vez).

A redução do grau de endividamento resulta da redução da dívida, aumento do rendimento e valorização dos ativos detidos pelas famílias. Mas apesar desta tendência, quase uma em cada cinco tinha dívidas que mais do que dobravam o respetivo rendimento anual.

Também em 2024, três quartos da riqueza financeira (75,4%) estava aplicada em depósitos (incluindo certificados de aforro e do Tesouro), o que transparece uma aversão ao risco acentuada. A mesma tendência é reforçada noutro capítulo das conclusões, já que são quase sete em cada oito (86,6%) as famílias que reconheceram não estar dispostas a assumir quaisquer riscos financeiros.

Ao mesmo tempo, 10,8% mostraram abertura a riscos financeiros "médios". As restantes, 2,7%, estavam dispostas a assumir riscos "acima da média ou consideráveis", com particular incidência na faixa etária abaixo dos 35 anos.

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