Despesas relacionadas com o regresso às aulas aumentaram para mais de 80% das famílias portuguesas
O regresso às aulas em 2026 revela-se como um momento crucial para as famílias, onde questões orçamentais e a influência dos filhos se cruzam de forma significativa. Um estudo do IPAM (Instituto Português de Administração de Marketing) indica que 83% dos inquiridos consideram que os gastos relacionados com o regresso à escola aumentaram em comparação com o ano anterior.
A despesa média por filho fica estimada em 179 euros, com variações assinaláveis entre as famílias. Enquanto 43% planeiam gastar entre 100 e 249 euros, 18% preveem uma despesa inferior a 50 euros, e 9% antecipam gastos iguais ou superiores a 400 euros.
Este cenário levou as famílias a adotarem uma abordagem mais racional nas compras, priorizando a comparação de preços e a reutilização de material. A pesquisa mostra que 86% dos inquiridos frequentemente comparam preços, e 97% reaproveitam pelo menos algum material escolar.
Apesar do aumento das compras online, as lojas físicas continuam a ser preferidas. 69% dos inquiridos optam por comprar principalmente em lojas físicas, enquanto apenas 16% fazem o mesmo exclusivamente online.
No entanto, a pesquisa para as compras inicia-se frequentemente no ambiente digital, com 64% dos inquiridos a consultarem websites de marcas e 54% a utilizarem motores de busca.
Mafalda Ferreira, coordenadora do estudo, destaca que “o regresso às aulas tornou-se um bom exemplo de como a jornada de consumo deixou de poder ser analisada separando o físico do digital”.
Crianças com maior poder de decisão
O estudo também aponta para um aumento da influência das crianças e jovens nas decisões de compra. Quase metade dos responsáveis considera que os filhos têm mais de 50% de influência na escolha dos produtos. Este impacto cresce com a idade, atingindo 88% entre os estudantes do ensino secundário.
As redes sociais desempenham um papel significativo, com 55% dos inquiridos admitindo ter recebido pedidos de compra dos filhos após estes terem visto produtos nas redes sociais.
Mafalda Ferreira observa que “à medida que os filhos crescem, deixam de ser apenas utilizadores para se tornarem verdadeiros decisores” nas compras familiares.
Inteligência artificial começa a ter impacto no processo de compra
A inteligência artificial começa a integrar-se neste processo de compra, com um quarto dos inquiridos a utilizar ou a prever o uso de ferramentas de IA. 11% já utilizaram soluções de IA para facilitar tarefas como a elaboração de listas e a comparação de preços.
Embora ainda em fase inicial, a IA está a emergir como um recurso importante na preparação das decisões de compra, juntando-se a motores de pesquisa e comparadores.
O estudo também identifica perfis distintos de consumidores, destacando o “tradicional físico”, que representa 42% e prioriza as compras em loja, seguido do “comparador omnicanal” com 22%, que investiga intensamente antes de decidir. Os consumidores mais preocupados com a poupança correspondem a 17%, enquanto o perfil “digital + família” representa 12% e o pragmático multicanal apenas 6%.
